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Hospitais gastam mais com pacientes que fumam, aponta estudo

Pesquisa feita nos EUA mostrou que complicações respiratórias provocadas pelo tabagismo após uma cirurgia são principais responsáveis pela elevação dos custos

Por Da Redação - 30 May 2012, 11h59

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que as complicações de saúde causadas pelo tabagismo após um procedimento cirúrgico contribuem de forma significativa para o aumento dos gastos dos hospitais no país. Segundo o levantamento, publicado na edição de junho do periódico Journal of the American College of Surgeons, problemas respiratórios apresentados por um fumante após uma operação são os principais responsáveis por esse aumento.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Hospital Costs Associated with Smoking in Veterans Undergoing General Surgery

Onde foi divulgada: periódico Journal of the American College of Surgeons

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Quem fez: Aparna Kamath, Mary Vaughan Sarrazin, Mark Vander Weg, Xueya Cai, Joseph Cullen e David Katz

Instituição: Universidade de Iowa, Estados Unidos

Dados de amostragem: 14.853 pacientes que passaram por um procedimento cirúrgico

Resultado: Gastos de hospitais são maiores com pacientes que fumam do que com não fumantes. Custos de internação, por exemplo, são 4% maiores. Não há diferença significativa em relação a ex-fumantes

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De acordo com Aparna Kamath, professora da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, e coordenadora do estudo, estima-se que 30% de todos os pacientes que precisam passar por um procedimento cirúrgico sejam fumantes.

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A equipe de Kamath analisou 14.853 pacientes que haviam se submetido a um procedimento cirúrgico em um período de um ano. Dessas pessoas, 34% eram fumantes atuais, 39% eram ex-fumantes e não fumavam há pelo menos um ano quando a operação aconteceu, e 27% não eram fumantes. Os pesquisadores também observaram os custos hospitalares dos centros médicos em três áreas: nos procedimentos cirúrgicos, nas operações que precisaram ser feitas após 30 dias da alta de um paciente e nos gastos com as internações.

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O estudo concluiu que os gastos com pacientes fumantes eram maiores do que com não-fumantes, e o aumento dos custos se deveu principalmente a complicações respiratórias causadas pelo tabagismo após um procedimento cirúrgico.

Além disso, os resultados indicaram que os gastos totais de internação foram 4% maiores quando o paciente era fumante em comparação com pacientes que nunca haviam fumado – porcentagem que se traduziu em cerca de 900 reais a mais para cada pessoa que passou por um procedimento cirúrgico. Quando a complexidade da operação era maior, essa diferença aumentou para 6%. No entanto, essa diferença nao foi significativa quando os pesquisadores compararam ex-fumantes e não-fumantes.

Para Kamath, embora esses resultados não tenham sido uma surpresa para a equipe, ajudam a reforçar a necessidade de intervenções antitabagistas antes de um procedimento cirúrgico. “Os médicos devem encorajar os pacientes a parar de fumar antes de serem operados para que não tenham complicações respiratórias após a cirurgia”, diz a pesquisadora, que ressalta que mesmo períodos curtos de abstinência de cigarro já são benéficos para a saúde.

“Embora nossa pesquisa não aborde diretamente essa questão, as evidências sugerem que parar de fumar antes de uma operação, mesmo de quatro a seis semanas antes do procedimento, melhora os resultados pós-operatórios e diminui as complicações nos pacientes”, afirma.

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Brasil – Uma pesquisa feita em 2010 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que, em 2005, 27,6% dos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com procedimentos relacionados ao câncer e a doenças do aparelho circulatório e respiratório estavam relacionados ao tabagismo. Esse número se traduziu, naquele ano, em quase 340 milhões de reais.

Essa pesquisa, publicada nos Cadernos de Saúde Pública, também indicou que o tabagismo correspondeu a 7,7% dos custos totais do SUS em procedimentos de quimioterapia em todas as patologias. Além disso, entre todas as internações oferecidas pelo SUS naquele ano, 35,9% entre os homens e 27% entre as mulheres puderam ser atribuídas ao tabagismo.

De acordo com dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2011, o número de fumantes está em queda no Brasil. O porcentual de fumantes passou de 16,2%, em 2006, para 14,8%, em 2011. Os homens ainda fumam mais (18,1%) do que as mulheres (12%), mas são eles que lideram a redução do hábito: 25% dos homens declararam serem ex-fumantes.

*O conteúdo destes vídeos é um serviço de informação e não pode substituir uma consulta médica. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.

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