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Frio e férias fazem número de cirurgias subir

Julho – que se encerra nesta sexta-feira – é o mês em que otorrinolaringologistas especializados em crianças e cirurgiões plásticos não podem tirar férias. O motivo? A combinação entre o clima frio e as férias escolares, principal responsável pelo aumento da procura por procedimentos cirúrgicos programados.

O Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, comprova esse crescimento com números. Atuando em 44 especialidades, a instituição realiza anualmente cerca de 10.000 cirurgias, o que resulta em uma média de 835 operações mensais. Segundo estimativas iniciais, o número relativo a julho deve sofrer um acréscimo de 35% em comparação àquela média – repetindo o valor de 2008. Os médicos ressaltam ainda que cerca de 70% dessas cirurgias foram realizadas em crianças. Não há números nacionais sobre o assunto.

“Isso não é devido à piora no estado de saúde das crianças nessa época, mas ao fato de que existe uma preferência dos pais pelo período de férias escolares para esses procedimentos, assim como as semanas que precedem feriados prolongados”, afirma a médica Renata di Francesco, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.

O otorrinolaringologista Iulo Baraúna, do Edmundo Vasconcelos, explica que, depois de uma cirurgia, a criança precisa ficar de cinco a sete dias sem sair de casa, em repouso e com alimentação regulada. “Também por isso a escolha pelo inverno: nessa época, as crianças ficam mais tranquilas dentro de casa, o que facilita a recuperação. Assim, no verão podem programar viagens e aproveitar melhor o clima quente”, completa.

As cirurgias mais comuns em crianças são as chamadas “eletivas”: aquelas menos urgentes e que podem ser programadas. Os procedimentos mais comuns são estáveis durante o ano: a procura é grande pela aspiração de secreções no ouvido e a retirada das amígdalas e adenóides. “A principal razão são problemas respiratórios, com crianças que roncam ou têm apneia”, conta Renata di Francesco.

Mulheres – O mês de julho favorece também as cirurgias plásticas. Segundo Ubajara Guazzelli, especialista do Edmundo Vasconcelos, nessa época há um aumento de até 80% na procura por esses procedimentos. Cerca de 90% dos pacientes são mulheres.

A professora universitária Vera Solferini fez uma cirurgia de pálpebra (blefaroplastia) recentemente e está em recuperação. “Percebi meu olho pesando em janeiro e queria marcar a cirurgia para fevereiro, mas não consegui horário. Então, deixei para o meio do ano, e estou feliz com o resultado: no frio, o inchaço é menor”, conta.

Segundo Guazzelli, o inverno traz a vantagem de tornar menos incômodo o uso de cintas compressivas e faixas – no caso da lipoaspiração, por exemplo -, favorecendo o período pós-operatório e a redução de edemas. De acordo com o especialista, a lipoaspiração é o procedimento mais procurado nessa época, seguido pela prótese de mama e cirurgias para correção do nariz.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Yoshikazu Tariki, acrescenta um dado que ajuda a entender a questão. A maior parte das pessoas que fazem cirurgias nessa época são estudantes adolescentes, de 17 a 20 anos, que estão de férias e podem contar com o mês inteiro para descansar. Além disso, há o grupo de mães jovens, na faixa dos 30 anos. “Elas querem estar prontas para o verão”, diz.