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Estudo propõe diretrizes de saúde pública para reduzir os danos da maconha

A abstenção é apontada como a maneira mais eficaz de se prevenir possíveis consequências do uso, como doenças mentais e dependência

Por Da Redação - 23 set 2011, 22h08

Estudos sugerem que o uso desde jovem pode estar associado a inúmeros problemas, incluindo doenças mentais e dependência. Enquanto muitos usuários não progridem para outras substâncias ilícitas, aqueles que usam a maconha desde cedo são mais suscetíveis a fazer essa transição

Uma equipe internacional de pesquisadores recomenda a adoção de abordagens de saúde pública frente ao uso da maconha. Isso incluiria, inclusive, a adoção de diretrizes para tentar reduzir os riscos à saúde causada pelo uso da droga. O estudo, que será publicado no periódico Canadian Journal of Public Health (CJPH), é coordenado por cientistas do Centro para Vício e Saúde Mental e por Benedikt Fischer, chefe de cadeira de Saúde Pública Aplicada da Universidade Simon Fraser, em Vancouver.

Segundo dados da pesquisa, mais de um em cada 10 adultos do Canadá (país onde foi realizado o levantamento) e um em cada três jovens (de 16 a 25 anos) relata que fez uso de maconha no último ano. “Uma abordagem pública mais ampla poderia aumentar as estratégias de prevenção em pessoas mais jovens. Além de melhorar as estratégias para reduzir os riscos e melhorar o acesso ao tratamento”, diz Fischer.

Perigo no trânsito – De acordo com o pesquisador, a desinformação sobre a maconha pode ser perigosa. “Há estudos que mostram que muitos usuários jovens acreditam que é seguro dirigir depois de usar a maconha. Enquanto pesquisas apontam que um número significativo de fatalidades no trânsito está relacionado à maconha”, diz. Para Fischer, a maconha não é uma droga benigna, uma vez que evidências relacionam padrões de uso com problemas à saúde.

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Entre os padrões de uso e práticas prejudiciais documentadas no estudo está o uso da maconha por jovens. Estudos sugerem que o uso desde jovem pode estar associado a inúmeros problemas, incluindo doenças mentais e dependência. Enquanto muitos usuários não progridem para outras substâncias ilícitas, aqueles que usam a maconha desde cedo são mais suscetíveis a fazer essa transição.

O uso frequente é outra preocupação. Geralmente definido como uso diário ou quase diário, essa frequência de consumo tem sido relacionada com uma variedade de problemas de saúde, incluindo prejuízos na cognição e na memória, ou mesmo no risco da dependência.

E usar maconha antes de dirigir também é prejudicial: dados recentes sugerem que aproximadamente 5% dos adultos canadenses com licença para dirigir relataram dirigir após fazer uso da droga. Pesquisa com alunos do colegial mostraram ainda que os estudantes costumam dirigir com mais frequência depois de usar maconha do que de beber. É recomendado, no entanto, que não se dirija por até quatro horas depois de usar maconha.

“A mensagem fundamental é que o caminho mais confiável para evitar os danos da maconha é a abstinência”, diz Fischer. Segundo ele, aqueles que usam maconha precisam ser avisado sobre os padrões de uso para evitar problemas em curto e longo prazo. “Nossas diretrizes são destinadas a orientar os padrões mais perigosos de consumo entre os cidadãos que usam maconha. Assim, tentamos reduzir possíveis problemas de saúde causados pelo uso.”

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