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Dormir pouco na meia-idade aumenta risco de demência, diz estudo

Um novo estudo sugere que menos de seis horas de sono por noite aumenta em até 30% a probabilidade de desenvolver a doença

Por Giulia Vidale Atualizado em 20 abr 2021, 19h49 - Publicado em 20 abr 2021, 16h40

Há muitos anos especula-se sobre a associação entre sono – ou a falta dele – e o risco de demência. Mas, até este momento, essa associação não estava muito clara, já que dormir poucas horas por noite também pode ser um sinal da doença. Agora, um estudo publicado na revista científica Nature Communications revelou que pessoas na faixa etária de 50 a 60 anos que não dormem o suficiente têm maior probabilidade de desenvolver a doença quando forem mais velhas.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados do estudo Whitehall II feito pela Universidade College London, na Inglaterra. Ao longo de 25 anos, cerca de 8.000 pessoas relataram seus padrões de sono e compartilharam outras informações sobre sua saúde, em geral. Essas pessoas começaram a ser acompanhadas a partir dos 50 anos de idade, em média.

Os resultados mostraram que aqueles que relataram dormir até seis horas por noite tinham um risco cerca de 30% maior de serem diagnosticados com demência quase três décadas depois, em comparação com as pessoas que dormiam sete horas por noite. Essa quantidade foi definida no estudo como “normal”. De acordo com os autores, essa associação permaneceu mesmo após serem considerados outros fatores de risco, como condições cardíacas e metabólicas e problemas de saúde mental.

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Como esse foi apenas um estudo observacional, não é possível comprovar que dormir pouco causa demência, mas os resultados reforçam as evidências de que o sono insatisfatório persistente pode pelo menos contribuir para a doença neurodegenerativa.

O sono é fundamental para eliminar resíduos tóxicos do cérebro. Uma das hipóteses para explicar a associação entre a falta de sono e o aumento do risco da doença é que quando as pessoas dormem pouco, esse processo fica prejudicado. No entanto, ainda não se sabe se melhorar o sono pode ter um efeito inverso e reduzir o risco de demência.

“Essas descobertas sugerem que a duração do sono pode ser um fator de risco para demência na vida adulta. Não posso dizer que a duração do sono seja uma causa da demência, mas pode contribuir para o seu desenvolvimento”. disse Séverine Sabia, da Universidade de Paris, uma das autoras do estudo.

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