Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Doença de Lyme: entenda a condição que atingiu Justin Bieber

A doença é causada por uma bactéria transmitida pelo contato com carrapatos e pode ter complicações cardíacas e neurológicas

Por Giulia Vidale - Atualizado em 9 jan 2020, 19h18 - Publicado em 9 jan 2020, 19h08

O cantor Justin Bieber revelou na quarta-feira (8) que sofre de doença de Lyme. O problema é causado por uma bactéria transmitida pelo contato com carrapatos e pode ter complicações cardíacas e neurológicas. Bieber não é a única celebridade a enfrentar a doença. A cantora Shania Twain, o ator Alec Baldwin, a modelo Bella Hadid, o ator Ben Stiller, a cantora Kelly Osbourne e a cantora Avril Lavigne já contaram publicamente sua luta contra o problema.

Inclusive, Avril Lavigne, que revelou a doença em 2015, se manifestou no Instagram após Justin Bieber confirmar seu diagnóstico. “Para todos os afetados por Lyme, quero dizer que há ESPERANÇA. Como Lyme é uma luta diária, durante quase dois anos, eu estive realmente doente e lutando pela minha vida.”, escreveu a cantora.

View this post on Instagram

Today @JustinBieber shared that he has Lyme disease. There are too many people that have this debilitating disease! People I love and care about and many friends and fans I have crossed paths with. To everyone affected by Lyme, I want to tell you that there is HOPE. Because Lyme is a daily struggle, for the better part of two years, I was really sick and fighting for my life. Writing #HeadAboveWater helped me get through the worst of it, but the bad days still come and go. At the time, putting together my album saved my life. I needed to tell my story and to be able to share my experiences with others. Lyme disease is in all 50 states in the US and in EVERY country in the world, except Antarctica. It is a global pandemic but NOT a global priority. I never want others to suffer the way that I did, and because of that it is now my mission to raise awareness & funds that will help eradicate this life-altering disease. Portions of proceeds from every show on the rest of the #HeadAboveWater tour and merch sales will continue to go directly to Lyme disease. I will continue to fight and to support! @TheAvrilLavigneFoundation supports people with Lyme Disease, serious illness or disabilities. We raise awareness and aid PREVENTION of the Lyme epidemic. We impact the lives of individuals and families affected by Lyme Disease through TREATMENT grants administered by our charitable partners; and we’ve aligned with @globallymealliance to accelerate scientific research. Please, JOIN US as we endeavor to educate people, prevent the spread of Lyme and find a cure. Our initiatives enable us to provide HOPE and expand the number of lives we’re able to transform. TOGETHER we can do this. #FightLyme #LymeIsReal #TheAvrilLavigneFoundation

Publicidade

A post shared by Avril Lavigne (@avrillavigne) on

Mas o que exatamente é a doença de Lyme? A condição é uma infecção causada pela bactéria Borrelia burgdorferi. Transmitida pela picada de carrapatos comuns no hemisfério norte, como Estados Unidos e Europa, que pode afetar o sistema nervoso, causando problemas como meningite e paralisia de Bell (que gera fraqueza em um ou em ambos os lados da face), e cardíaco. Há também casos documentos na China, Japão e Rússia. De acordo com uma pesquisa divulgada no ano passado, Charles Darwin pode ter morrido de doença de Lyme, em 1882.

Sintomas

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), para que haja a infecção, o carrapato deve ficar grudado na pele do hospedeiro por ao menos 36 horas. Então, se você encontrar um desses bichinhos atracados em seu corpo, a recomendação é retira-lo imediatamente com a ajuda de uma pinça e procurar um médico, mesmo que não surjam sintomas imediatamente.

Os sintomas iniciais aparecem de 3 a 30 dias após a picada e incluem erupção cutânea acompanhada de vermelhidão e coceira no local da picada, cansaço, dor de cabeça, febre, dor nas articulações, náuseas e inchaço. Se não tratada, a doença pode evoluir e causar problemas mais graves como dor de cabeça severa, rigidez no pescoço, erupções cutâneas em outras partes do corpo, paralisia facial, artrite; dor nos tendões, músculos, articulações e ossos; palpitação cardíaca ou batimentos irregulares (condição conhecida como cardite de Lyme), tontura, falta de ar, inflamação do cérebro e medula espinhal, dor no nervo e dormência ou formigamento nas mãos ou pés.

Publicidade

Tratamento

O diagnóstico é feito com base em testes clínicos, histórico do paciente e exames laboratoriais. O tratamento é feito com antibióticos e deve começar imediatamente para evitar complicações no quadro. As pessoas tratadas nos estágios iniciais da doença geralmente se recuperam rápida e completamente. Já aqueles que desenvolveram formas neurológicas ou cardíacas da doença podem precisar de tratamento intravenoso e a recuperação completa é rara. Por isso, esses pacientes devem ser acompanhados continuamente.

Prevenção

Como em todas as doenças, prevenir é o melhor remédio. Usar repelentes com o inseticida permetrina na composição, não realizar trilhas em locais desconhecidos, utilizar roupas que cubram o corpo em ambientes de mata e checar o próprio corpo em busca de carrapatos, após frequentar áreas de mata ou rurais.

De acordo com especialistas, os casos registrados no Brasil são importados. “A bactéria é transmitida por um carrapato que circula muito no hemisfério norte e que ainda não temos por aqui. Mas isso não significa que não hajam casos da doença no Brasil, principalmente se a pessoa visitou algum outro país com circulação do carrapato.”, diz o infectologista Carlos Starling.

Em 2018, autoridades de saúde alertaram sobre casos da doença de Lyme em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, em pessoas picadas pelo carrapato estrela.

Publicidade