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Crianças que consomem muito açúcar são mais violentas, diz estudo

Pesquisadores descobriram que consumir alimentos com altos níveis de açúcar aumentam em 69% a probabilidade de as crianças praticarem bullying na escola

De acordo com uma revisão de estudos publicada na revista Social Science & Medicine, crianças e adolescentes que ingerem alimentos ricos em açúcar são mais propensos à violência e comportamentos de risco (consumo de bebida alcoólica e cigarro). A pesquisa ainda descobriu que a exposição a altos níveis de açúcar aumentam em 69% a probabilidade de as crianças se tornarem bullies (termo utilizado para caraterizar pessoas que praticam o bullying). Para a ingestão de álcool o risco é de 72% – dentro desta taxa, 95% estavam mais propensas a embriaguez. Já a probabilidade de tabagismo chegou aos 89%.

Segundo os pesquisadores, crianças menores de 6 anos não devem consumir mais do que 19 gramas de açúcar por dia. Para crianças acima dos 11 anos, a indicação é não passar das 30 gramas diária. Esses valores são menores do que os contidos em uma lata de Coca-Cola (35g) e uma barra de chocolate (33g).

O estudo

As pesquisas foram realizadas em 25 países europeus – Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Suécia, Suíça e Reino Unido – e no Canadá. Os resultados foram baseado em índices comparativos que analisaram a quantidade de açúcar consumida e a frequência com que as 137.284 crianças – que tinham de 11 a 15 anos – intimidavam colegas, fumavam cigarro e bebiam álcool ao ponto da embriaguez.

Energéticos

As bebidas energéticas em excesso também trazem implicações comportamentais, aumentando em quase quatro vezes a probabilidade das crianças praticarem bullying com colegas de escola. Segundo os pesquisadores, os energéticos influenciam ainda mais o comportamento – em comparação com chocolates e doces no geral -, pois contêm cafeína.

Além disso, as bebidas energéticas causam rápido aumento nos níveis de açúcar no sangue uma vez que não contêm fibra, nutriente que ajuda a reduzir as taxas de açúcar e gordura no organismo. Especialistas estimam que algumas bebidas podem ter cerca de 50 gramas de açúcar por lata. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a ingestão diária não ultrapasse as 25 gramas (seis colheres de chá).

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Altos níveis de cafeína

Em um editorial publicado no periódico científico British Medical Journal, Russell Viner, presidente do Royal College de Pediatria e Saúde da Infância, afirma que um dos principais componentes dos energéticos é a cafeína, que aumenta os níveis de atenção e consciência. A substância traz prejuízos para o corpo, principalmente de crianças e adolescentes, pois eleva os níveis de ansiedade, reduz o sono – importante para a recuperação do organismo – e está ligada a problemas comportamentais em crianças. Uma lata pode conter pelo menos 320 miligramas por livro (mg/L); uma xícara de café tem entre 60 e 120 miligramas.

A cafeína leva mais tempo para ser eliminada do corpo em crianças e adolescentes em comparação aos adultos. Como resultado, essas bebidas podem levar a dores de cabeça, problemas comportamentais, insônia e problemas de ansiedade em grupos etários mais jovens. “Os energéticos são altamente comercializadas para adolescentes de maneiras que encorajam comportamentos de risco, incluindo consumo rápido e excessivo. Como resultado, as visitas de emergência por causa dessas bebidas estão aumentando”, disse Jennifer L. Harris, da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, à Reuters

Já os autores do novo estudo disseram que pais e professores devem ficar atentos ao hábitos alimentares das crianças e jovens, pois o consumo excessivo de bebidas energéticas pode ser indicativo de comportamentos futuros.