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Covid-19: os quatro novos sintomas característicos da doença

Estudo feito no Reino Unido revelou que calafrios, perda de apetite, dor de cabeça e muscular são indícios tão fortes da doença quanto os sintomas clássicos

Por Giulia Vidale Atualizado em 25 mar 2021, 21h05 - Publicado em 11 fev 2021, 15h36

Um estudo com mais de 1 milhão de pessoas na Inglaterra encontrou novos sintomas característicos da Covid-19, incluindo calafrios, perda de apetite, dor de cabeça e dores musculares. Segundo pesquisadores da Imperial College London, se estes sintomas forem incluídos na lista de sinais indicativos da doença para a realização de teste de diagnóstico, poderia haver um aumento de 25% no número de detecção de casos sintomáticos.

Para chegar a essa conclusão, uma equipe da Imperial College London analisou mais de 1 milhão de resultados de teste PCR e questionários respondidos entre junho de 2020 e janeiro de 2021 por essas pessoas como parte do estudo REACT, que monitora infecções por coronavírus no Reino Unido. Os resultados mostraram que além dos sintomas clássicos da doença, como febre, falta de ar, tosse seca, fadiga e perda do olfato e paladar, outros sinais como calafrio, perda de apetite, dores de cabeça e musculares também foram forte indicativos da doença.

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“Ter qualquer um desses outros sintomas ou os clássicos, isoladamente ou em combinação, estava associado à infecção pelo coronavírus e quanto mais sintomas as pessoas apresentassem, maior a probabilidade de o teste ser positivo”, escrevem os pesquisadores em comunicado.

O estudo revelou também que a prevalência desses novos sintomas varia de acordo com a idade. Os calafrios foram encontrados em pessoas de várias idades, enquanto dores de cabeça eram mais comuns em crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. A perda de apetite foi mais comumente relatada em pessoas acima dos 18 e as dores musculares, naqueles de 18 a 54 anos. O grupo dos mais jovens, em comparação com os adultos, também tinha menos probabilidade de apresentar febre, tosse e perda de apetite.

Diante disso, a equipe ressalta para a importância de alterar as recomendações para a realização de testes de diagnóstico de infecção pelo novo coronavírus. Atualmente, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), recomenda a realização do PCR mediante a apresentação de pelo um destes quatro sintomas: febre, tosse persistente, perda do olfato e/ou paladar. No entanto, segundo os pesquisadores, esses critérios poderia diagnosticar apenas metade de todas as infecções sintomáticas, se todas as pessoas com sintomas fossem testadas. A inclusão dos novos sintomas aumenta esse número para 75%.

“Essas novas descobertas sugerem que muitas pessoas com Covid-19 não farão o teste – e, portanto, não se auto-isolarão – porque seus sintomas não correspondem aos usado nas orientações atuais de saúde pública para ajudar a identificar pessoas infectadas.”, disse o professor Paul Elliott, diretor do programa REACT da Imperial College London.

Novas variantes

O estudo também avaliou se a nova variante do coronavírus identificada no Reino Unido, chamada B.1.1.7, estava associada a um perfil diferente de sintomas. Os pesquisadores compararam as respostas dos questionários e os resultados de testes PCR realizados entre novembro e dezembro, quando a nova variante representava cerca de 16% das infecções, com testes coletados em janeiro, quando a variante era responsável por cerca de 86% das novas infecções.

Os resultados mostraram que os sintomas relatados por pessoas infectadas com a cepa original ou a nova são muito similares. No entanto, em janeiro, a perda ou alteração do olfato se tornou um indício menor de Covid-19. No mesmo período, houve um aumento no número de testes positivo em pessoas que apresentavam tosse persistente.

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