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Covaxin: fábrica reprovada desfalca em 19% doses previstas para abril

Produtora de imunizantes na Índia não recebeu o Certificado de Boas Práticas de Fabricação; 8 milhões de aplicações eram esperadas para o próximo mês

Por Mariana Rosário Atualizado em 30 mar 2021, 19h10 - Publicado em 30 mar 2021, 18h26

Sem o chamado Certificado de Boas Práticas de Fabricação concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a fábrica Bharat Biotech do imunizante Covaxin pode desfalcar em pelo menos 19% as doses previstas para abril. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 30.

Para o próximo mês, são esperadas — de acordo com o Ministério da Saúde — 15,7 milhões de doses da CoronaVac (envasada pelo Instituto Butantan), 21,2 milhões de doses da vacina de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca (envasada pela Fiocruz) e outros 2 milhões da mesma vacina já prontas e enviadas pelo Instituto Serum,  também na Índia. Há ainda uma cota de 400.000 doses da vacina Sputnik V — que teve recentemente o pedido de uso emergencial protocolado junto à Anvisa, mas ainda deve parte da documentação para a agência. Junto ao montante, eram anunciadas 8 milhões de doses da Covaxin.

A Bharat Biotech também não entregou 8 milhões de doses previstas para esse mês de março e, diante do compromisso de que resolveria as pendências averiguadas na fábrica indiana até 30 de julho, é improvável que cumpra também a previsão de abril. Uma vez que a fábrica terá que ser avaliada novamente em um intervalo inferior a um mês.

Diante desse cenário, é esperada com grande ansiedade a chegada das doses da farmacêutica Pfizer, que deve começar as entregas ao país entre abril e maio, diz o cronograma do Ministério da Saúde. O imunizante conta com aprovação total pela Anvisa, o que o libera de problemas parecidos com o que passou a Covaxin. São esperadas 13,5 milhões de doses entre abril em junho — mas não há especificação sobre como serão essas entregas.

O principal desafio para o programa de vacinação em andamento é justamente a disponibilização de doses em quantidade suficiente para que se avance rapidamente a todos os grupos prioritários, responsáveis pela maior parte das mortes no país. Até agora, as médias móveis de aplicação chegaram próximas a 600.000 doses por dia, um dos melhores ritmos já vistos desde o começo da imunização, mas ainda lento para o patamar de 1 milhão de doses prometido pelo novo Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

O cenário de entregas deve ser menos nebuloso, porém, no segundo semestre quando a Fiocruz começará a produzir doses 100% em solo nacional da vacina de Oxford e quando haverá o envio de 38 milhões de doses do imunizante da Janssen — que permite a imunização em uma única etapa e, por fim, a entrega da maior parte de vacinas da Pfizer (86 milhões de doses). É nesse momento que espera-se que a vacinação extrapole o público prioritário e chegue à maior parte dos brasileiros.

Até agora, o Brasil já distribuiu doses proporcionais a 8% da população para primeira dose e 2,4% para a segunda dose.

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