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Como identificar sinais e prevenir suicídio entre adolescentes

Segundo a OMS, 90% dos casos podem ser evitados; estar atento aos avisos que a pessoa dá é essencial para impedir a tragédia

Por Marcella Centofanti 30 abr 2018, 17h23 | Atualizado em 3 jul 2026, 20h50
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A divulgação de casos recentes de suicídio entre alunos de escolas particulares de São Paulo deixou adolescentes, pais e professores alarmados. Há motivos para preocupação. Embora adultos se matem mais, o crescimento desse tipo de fatalidade entre os jovens é maior no Brasil. De 2005 a 2016, últimos dados disponíveis no Ministério da Saúde, o suicídio na faixa etária de 10 a 14 aumentou 31%, passando de 0,54 para 0,71 por 100.000 habitantes. Entre aqueles com 15 a 19 anos, subiu 26%, saltando de 2,97 para 3,76 por 100.000 pessoas. Estudiosos no tema acreditam que os números reais sejam maiores  o tabu provoca subnotificação. Diante desse cenário, surge o debate: como impedir que novas tragédias aconteçam?

Mortes autoinfligidas são arrasadoras para familiares e amigos da pessoa que se suicidou. Uma estimativa feita pela psicóloga Julie Cerel, presidente da Associação Americana de Cuidados com o Suicídio, revela que 135 indivíduos são afetados, em média, quando alguém tira a própria vida  um terço de forma mais severa. Cerca de 5% de todos esses afetados repetem o comportamento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados. As comunidades desempenham um papel fundamental na prevenção dessa tragédia, segundo a OMS, na medida em que podem oferecer apoio a indivíduos vulneráveis e estimular seu tratamento apropriado.

Hoje, no Brasil, o principal meio disponível para quem precisa de ajuda é o Centro de Valorização da Vida (CVV)associação sem fins lucrativos que há 54 anos oferece serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. O Ministério da Saúde recorreu ao CVV para tentar barrar o crescimento de mortes autoprovocadas no país. Desde março de 2017, as ligações ao número 188 são gratuitas, inclusive por celular e orelhão. Com a mudança, os atendimentos saltaram de 1 milhão para 2 milhões por ano. A projeção para 2018 é 2,5 milhões.

O CVV não tem informações sobre a idade das pessoas que procuram o serviço, uma vez que as ligações são anônimas. No entanto, a associação estima que o número de adolescentes em busca de socorro aumentou. “Percebemos que jovens gostam de se comunicar por chat e e-mail. Na época do lançamento do seriado 13 Reasons Why, os atendimentos por e-mail cresceram 445%”, afirma Carlos Correia, porta-voz do CVV. Divulgada em 2017, a série da Netflix conta a história de uma menina que tira a própria vida.

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Alguns fatores explicam por que adolescentes podem tomar essa atitude tão drástica. Com o cérebro em formação, jovens são naturalmente mais impulsivos. Há ainda a imaturidade inerente à idade, predisposição genética e influências ambientais e sociais. Histórico familiar, abusos (físicos, sexuais e psicológicos, como o bullying), uso de álcool e drogas e distúrbios mentais (depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia são alguns deles) estão entre os fatores de risco.

Como ajudar

De acordo com a OMS, a maioria das mortes autoprovocadas é precedida de avisos  é mito que indivíduos que falam sobre suicídio não querem concretizá-lo. Por isso, o primeiro passo para evitar que uma pessoa tire a própria vida é estar atento aos sinais verbais e comportamentais que ela dá (veja mais no texto abaixo).

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Com a experiência de 26 anos como voluntário no CVV, Carlos Correia aponta a maneira correta de ouvir um desabafo alheio. “Não interfira na fala da pessoa, não julgue, não desmereça o sentimento dela e não aponte caminhos. Ouça o que o outro tem a dizer com atenção, carinho e respeito”, diz. Ofereça seu tempo. “Você vai quebrar a narrativa da pessoa se olhar no relógio enquanto ela fala.” Esteja disponível para conversar novamente e informe sobre ajuda profissional  o papo entre amigos não substitui o suporte médico e psicológico. “É preciso quebrar o tabu do suicídio. E falar sobre ele é a melhor solução para isso”, afirma Correia.

A psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, especialista nos estudos de suicídio e pós-doutora em psicologia, listou sinais a que familiares, professores e amigos devem ficar atentos:

Sinais de alerta verbais

“Resolverei o problema de vocês”

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“Em breve, vocês não precisarão se preocupar comigo”
“Se isso acontecer novamente, prefiro estar morto”
“Não aguento mais!”
“Eu sou mesmo um fracassado e inútil”
“Estou cansado dessa vida, não quero continuar”

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“Eu não consigo aguentar isso”
“Quero sumir!”

Sinais de alerta comportamentais 

Automutilação
Isolamento
Perturbações no sono (excessivo ou insônia)

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Dificuldade de concentração
Irritabilidade, intensa raiva, desejo de vingança
Medos e preocupações
Pensamentos sobre morte ou sobre morrer
Culpa, vergonha e cobranças por não ter atingido expectativas
Oscilação de humor, pessimismo, desesperança, desespero, desamparo
Ansiedade, dor psíquica e stress acentuado
Sensação de estar preso e sem saída
Desfazer-se de objetos importantes
Despedir de parentes e amigos

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