Comitê recomenda vacinar meninos contra HPV nos EUA

A vacina contra o HPV pode prevenir o câncer anal e a formação de verrugas genitais em homens

Por Da Redação - 25 out 2011, 18h11

Um comitê assessor do governo americano recomendou nesta terça-feira que meninos entre 11 e 12 anos sejam vacinados contra o vírus do papilomavírus humano (HPV), uma doença sexualmente transmissível que pode evoluir para o câncer anal e verrugas genitais em homens, e câncer do colo do útero em mulheres.

Todos os meninos nessa idade deveriam tomar a vacina, cujo uso já é recomendado para as meninas, segundo o Comitê Assessor sobre Práticas de Imunização (ACIP, na sigla em inglês), dos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

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HPV

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O HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum, e tem mais de 40 subtipos, alguns dos quais podem causar câncer cervical e verrugas genitais. Normalmente, porém, o HPV não causa sintomas. Pelo menos 50% dos homens e mulheres sexualmente ativos contrairão HPV em algum momento de suas vidas. Geralmente o organismo humano consegue eliminar a infecção sozinho em dois anos, mas certos suptipos do vírus, conhecidos como cepas oncogênicas, podem evoluir para o câncer e precisam ser acompanhados de perto.

“A vacina contra o HPV será uma proteção contra certas questões de saúde relacionadas com o HPV e com o câncer nos homens, e a vacinação dos homens com HPV também pode proporcionar uma proteção indireta nas mulheres, mediante a redução da transmissão do HPV”, informou o comitê em um comunicado.

Se os órgãos de saúde federais dos Estados Unidos aceitarem as recomendações do painel (em geral são sempre aceitas), será solicitada cobertura a todas as companhias de seguros sem que o paciente tenha que compartilhar os gastos.

O laboratório Merck é a única companhia farmacêutica que disponibiliza a vacina tetravalente – que age contra quatro cepas independentes do HPV – com licença de uso em meninas e meninos. A vacina Gardasil, do Merck, foi aprovada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos e para meninos e homens da mesma faixa etária, em outubro de 2009.

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A vacina Cervarix, da GlaxoSmithKline, bivalente, foi aprovada em 2009 para meninas e mulheres de 10 a 25 anos.

Mudança – As últimas recomendações representam uma mudança no aconselhamento que os médicos costumavam dar. Até o momento, eles indicavam a vacinação dos meninos e rapazes até os 21 anos, mas agora a pretensão seria de que a prática se tornasse rotineira, embora não seja obrigatória.

Anne Schuchat, diretora do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias dos CDC, o nível relativamente baixo da vacinação entre as meninas foi uma razão chave para a mudança. “A vacina contra o HPV não está sendo muito solicitada entre as adolescentes”, disse à imprensa, considerando que a taxa de imunização é “decepcionante”.

O comitê considerou em que, além de reduzir a carga sobre as mulheres e as meninas, a vacina contra o HPV permitirá prevenir o câncer anal e as verrugas genitais em meninos e homens.

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Controvérsia – A vacina contra o HPV virou o centro das atenções no país no mês passado, quando a précandidata republicana à presidência Michele Bachmann disse, durante um debate, ter ouvido falar que a vacina poderia causar atraso mental. No entanto, não foram documentados casos do tipo pelas autoridades sanitárias.

Anne Schuchat reiterou que até agora foram distribuídas no país quase 40 milhões de doses da vacina contra o HPV, que é considerada segura. Os efeitos colaterais mais comuns são uma leve inflamação no local da injeção, dor de cabeça e febre leve ou moderada, afirmou.

Brasil – O cancêr anal é raro. No Brasil, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer, de 2009, foram estimados 539 casos em homens e 1.078 em mulheres, com 71 e 162 mortes respectivamente. O câncer de colo de útero tem um incidência muito maior. Foram estimados 18.430 casos em 2010, com 4.812 mortes.

(Com Agência France-Presse)

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