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Cientistas identificam gene que pode causar o Parkinson

O gene produz proteínas que matam as células cerebrais responsáveis pela produção de dopamina

O Parkinson afeta cerca de 200.000 brasileiros, a maioria acima de 60 anos, segundo a Associação Brasileira de Parkinson

Um grande passo para a redução dos efeitos do Parkinson foi anunciado nesta quinta-feira. Cientistas encontraram a molécula que causa a morte de células no cérebro iniciando os sintomas da doença. Com isso, eles esperam poder impedir sua ação antes que a doença se desenvolva.

A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e foi descrita como um “significativo passo adiante” na luta contra a doença degenerativa. Os cientistas americanos descobriram um gene responsável pela produção de duas proteínas na mosca da fruta que causam, em níveis altos, a morte de células no cérebro do inseto. O pesquisador chefe do estudo, Bingwei Lu, notou que as moscas de laboratório com a variante do gene, após terem desenvolvido degeneração cerebral associada com o Parkinson, apresentavam altos níveis dessas duas proteínas. Os pesquisadores conseguiram prevenir a morte das células nervosas de dopamina depois que o nível das proteínas foi reduzido. “As moscas não apresentaram mais os sintomas de Parkinson”, disse Lu, em entrevista ao jornal inglês The Telegraph. O cientista ainda disse que muitas empresas farmacêuticas já fazem remédios que agem sobre essas duas proteínas. Estudos anteriores mostraram que elas estariam ligadas ao câncer. “É possível que esses compostos possam ser adaptados rapidamente para serem usados em pacientes que não têm câncer, mas desenvolveram o Parkinson”,afirmou Lu. O próximo passo é começar os testes em mamíferos. Egberto Barbosa, professor da faculdade de medicina da USP explica que atualmente, apenas os sintomas do Parkinson são tratados. “O que fazemos é tentar restaurar o equilíbrio químico do cérebro por meio de substâncias que produzem dopamina”. Ele disse que nenhuma droga é capaz de impedir que as células morram e, com isso, o paciente precisa fazer a reposição por meio de drogas pelo resto da vida. Ele lembra que as células nervosas do cérebro, uma vez mortas, não se regeneram. Isso quer dizer que ainda é impossível retroceder os sintomas do Parkinson. E um remédio capaz de impedir a morte das células em humanos só será possível em longo prazo. “Mesmo que outra droga esteja no mercado para o câncer, temos que saber se ela será útil em humanos com Parkinson. Isso pode levar até 10 anos”, afirma João Carlos Papaterra Limongi, neurologista do Hospital das Clínicas da USP. O Parkinson afeta cerca de 200.000 brasileiros, a maioria acima de 60 anos, segundo a Associação Brasileira de Parkinson. Entre os mais jovens a incidência da doença também é expressiva – pelo menos 40.000 teriam menos de 40 anos. O Parkinson é uma doença degenerativa que ataca o sistema nervoso central comprometendo, principalmente, os movimentos do paciente. A doença também pode afetar o olfato e até a fala da pessoa. “Isso ocorre por causa da queda na produção de dopamina, um neurotransmissor do cérebro responsável, dentre outras coisas, por regular a fluidez dos movimentos”, diz João Carlos. A causa da doença ainda é um grande enigma para a medicina. Os médicos já sabem que ela possui fatores genéticos, que podem ser transmitidos hereditariamente, e ambientais. Em alguns casos é possível que a doença esteja ligada apenas ao fator genético, mas em 95% deles “existem genes que deixam o paciente mais propenso a desenvolver a doença junto com fatores ambientais”, explica João Carlos.