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Cannabis medicinal ganha primeira plataforma digital da América Latina

Segundo seus criadores, o objetivo é facilitar a troca de informações entre pacientes, médicos, cientistas e empresas sobre benefícios terapêuticos

Por Simone Blanes Atualizado em 17 set 2021, 20h01 - Publicado em 18 set 2021, 14h00

Muita gente, inclusive da comunidade médica, ainda não tem conhecimento sobre os benefícios que a cannabis medicinal pode ter em tratamentos de dores crônicas, câncer e até para sintomas pós Covid-19. Um estudo recente realizado no Hospital Universitário do campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, por exemplo, apontou que o canabidiol (CBD) – encontrado em pequeno volume no caule e na folha da erva Cannabis, sem efeitos tóxicos ou psicoativos – mostrou-se eficaz no  tratamento da síndrome do burnout, caracterizada por esgotamento físico e mental extremo, em um grupo de médicos e outros profissionais de saúde da linha de frente no combate à Covid-19. Houve redução de fadiga emocional (25%), depressão (50%) e ansiedade (60%) nos voluntários.

Embora ainda exista desconhecimento sobre o tema, o potencial terapêutico da cannabis atrai cada vez mais a curiosidade científica e aguça um mercado em ascensão. Agora, empreendedores do setor médico e investidores resolveram criar a Cannect, healthtech brasileira e primeira plataforma médica personalizada de cannabis na América Latina. A ideia é não só reunir todas as informações sobre o uso medicinal da maconha como conectar pacientes, médicos, instituições de saúde, pesquisadores e fornecedores, estimulando um ambiente para a realização de estudos e desenhos de protocolos clínicos e linhas de cuidado estruturadas. ” Queremos garantir que as pessoas de todas as pontas da cadeia tenham acesso seguro à cannabis medicinal”, diz Allan Paiotti, CEO e cofundador da Cannect.

A partir do acesso a informações científicas e bases de evidência, os criadores da startup esperam fazer crescer o volume atual de prescrições, ainda muito tímidas no país pelo baixo conhecimento técnico e o histórico de preconceito com a cannabis medicinal. “Com a evolução da legislação, vamos evoluir para modelos personalizados de cuidado e acompanhamento de pacientes crônicos”, acredita Paiotti. A plataforma também se propõe a estabelecer trocas de experiências entre comunidades médicas e pacientes baseadas no conhecimento sobre essa planta com uma história de uso terapêutico de mais de três mil anos. No Brasil, há apenas um medicamento à base de cannabis registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e três produtos derivados da planta com autorização sanitária, quase todos importados.

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