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Anticoncepcional para homens pode se tornar realidade

Nova pesquisa, realizada com um pequeno grupo, mostrou que a 'pílula' para eles teve eficácia e segurança atestada

Um novo estudo trouxe resultados promissores para o esperado anticoncepcional masculino. A pequena pesquisa foi recebida com entusiasmo após ser apresentada durante a ENDO 2018, uma conferência anual de endocrinologistas que aconteceu em Chicago, nos Estados Unidos, no último domingo. Faz tempo que os cientistas tentam desenvolver a versão masculina do contraceptivo oral. As pílulas femininas foram aprovadas na década de 1960 e, desde então, são utilizadas mundialmente para evitar a gravidez.

Para o levantamento atual, pesquisadores da Universidade de Washington observaram, ao longo de um mês, 83 homens com idade entre 18 e 50 anos. O teste consistia em avaliar os efeitos de diferentes doses (100, 200 e 400 miligramas) de undecanoato de nandrolona no organismo dos pacientes. Parte deles recebeu placebo. Os resultados mostraram que a medicação teve eficácia e segurança comprovada naqueles que receberam as ‘pílulas masculinas’.  De acordo com os pesquisadores, entre os que receberam as doses mais altas, houve supressão de testosterona e de dois hormônios necessários para a produção de espermatozoides.

“O undecanoato de nandrolona é um grande passo no desenvolvimento de uma ‘pílula masculina’ de uso diário. Muitos homens dizem preferir uma pílula como método contraceptivo reversível, ao invés de injeções de ação prolongada ou géis tópicos, que também estão em desenvolvimento”, disse Stephanie Page, professora de medicina da Universidade de Washington e principal autora da pesquisa, em nota.

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Já existem vários protótipos de controle de natalidade reversíveis em fase de teste clínicos, além de medicamentos orais à base dessa mesma substância, mas esta nova pílula traz uma novidade: o uso de uma formulação, que permite ao anticoncepcional ter efeito prolongado. Além disso, a medicação funciona combinando a atividade hormonal do homem, como a testosterona, com hormônios sintéticos, bem parecido com a produção do anticoncepcional feminino.

No entanto, assim como os contraceptivos femininos, essa pílula não é livre de efeitos colaterais. Os homens que participaram do teste clínico apresentaram sinais de ganho de peso e queda no nível do bom colesterol (HDL). Ainda assim, todos os indivíduos foram aprovados nos testes de segurança, que incluíram avaliações sobre o funcionamento do fígado e dos rins, um obstáculo que as tentativas anteriores de contraceptivos masculinos não conseguiram atender.

Outra questão sobre o funcionamento da substância está relacionado aos níveis de testosterona circulando no corpo do homem. “Apesar de ter baixo nível de circulação de testosterona, poucos participantes relataram sintomas consistentes com deficiência ou excesso de testosterona”, afirmou Stephanie.  

Pesquisas anteriores em controle de natalidade masculina foram interrompidas, não por sua ineficiência, mas por apresentarem a possibilidade de provocar efeitos colaterais como depressão, mudança na libido e acne, que, aliás, são efeitos colaterais bem conhecidos da pílula utilizada pelas mulheres.

“Estes resultados promissores não têm precedentes no desenvolvimento de protótipos de pílulas masculinas. Mais pesquisas estão em andamento para confirmar que o undecanoato de nandrolona tomado todos os dias bloqueia a produção de esperma”, informou Stephanie, que também garantiu que estudos estão sendo realizados para compreender os efeitos da pílula no corpo a longo prazo.

Outras pesquisas na área de contraceptivos masculinos estão em fase de testes clínicos e prometem disponibilizar o produto para o mercado dentro de cinco anos.