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Acredite: comer grilo faz muito bem para a saúde, diz estudo

O inseto é uma fonte rica em fibras, proteínas, vitaminas e minerais

Por Da Redação - 6 ago 2018, 19h23

Essa pode não parecer uma ideia muito atraente, mas adicionar grilos às refeições diárias traz benefícios para o sistema digestivo, indica estudo publicado no periódico Scientific Reports. De acordo com os pesquisadores, o consumo desses insetos  é capaz de diminuir inflamações pelo corpo e pode ajudar no crescimento de bactérias intestinais benéficas. Isso acontece porque os insetos são ricos em fibras, que servem de alimento para os micro-organismos probióticos capazes de combater diversas doenças, como baixa imunidade, obesidade e problemas intestinais. 

Ainda que pareça impensável ingerir grilos (intencionalmente), segundo o Daily Mail, essa é uma prática comum em alguns países onde mais de dois bilhões de pessoas consomem insetos – considerados fontes alternativas de proteínas, vitaminas, minerais e gorduras saudáveis.

O estudo

O estudo, realizado pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, criou duas dietas diferentes para o café da manhã dos 20 participantes, com idades entre 18 e 48 anos. Durante os primeiros quinze dias, um dos grupos recebeu uma refeição matinal comum e o outro, uma alimentação contendo 25 gramas de farelo de grilo em pó adicionados como ingredientes de muffins e shakes. Nas duas semanas seguintes, todos os participantes retornaram a uma dieta normal considerado um período de ‘limpeza’. Depois deste tempo, os grupos foram invertidos e receberam a refeição que não haviam recebido na primeira observação.

Para avaliar os efeitos da nova dieta no organismo dos voluntários, os pesquisadores coletaram amostras biológicas (sangue e fezes) e fizeram perguntas a respeito da saúde gastrointestinal dos participantes em três períodos do estudo: antes da inserção da nova dieta, após as primeiras duas semanas, e no final do estudo, ao fim da intervenção final.

Através do questionário, a equipe percebeu que os participantes não sentiram nenhuma alteração gastrointestinal significativa ou efeitos colaterais da dieta com farelo de grilo. Os exames – que testaram biomarcadores relevantes, como açúcar no sangue, saúde do fígado, sinais de inflamação e alterações na microbiota intestinal – indicaram que não ocorreu nenhuma modificação nas populações bacterianas do intestino, mas foi possível perceber mudanças importantes na saúde.

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Benefícios

Apesar de não encontrar nenhuma evidência de problemas gastrointestinais, os participantes apresentaram aumento de uma enzima metabólica associada à saúde intestinal e crescimento bacteriano benéfico para o intestino; entre as bactérias ‘boas’ que se beneficiaram da nova dieta estava a Bifidobacterium animalis, também conhecida como Bifidobactéria, que pode controlar diarreias e prisão de ventre, por exemplo.

O consumo de grilo promoveu ainda uma diminuição nos níveis da TNF-alfa, proteína associada à inflamação e tem sido encontrada em altos níveis em pessoas com depressão e câncer. “Descobrimos que o consumo de críquete pode realmente oferecer benefícios além da nutrição”, disse Tiffany Weir, co-autora da pesquisa, ao Medical News Today.

Para Valerie Stull, autora do estudo, no futuro, essa nova dieta pode ser uma fonte sustentável de alimentos. “[A dieta] está ganhando força na Europa e nos EUA como uma fonte de proteína sustentável e ecológica em comparação com a pecuária tradicional”, disse ao Daily Mail. Isso significaria uma melhoria para o meio ambiente – evitando a destruição de florestas para criação de pastos para o gado – e uma alternativa nutricional mais saudável que a carne, especialmente como fonte de proteína.

Valerie ainda ressaltou que, mesmo que as pessoas não consigam se imaginar comendo grilos, é possível que em algum momento a dieta ganhe força, como no caso do consumo de sushi que há 20 anos também era considerado repulsivo e atualmente é muito popular na cultura ocidental.

Daqui para a frente, os cientistas pretendem realizar mais testes para replicar as descobertas e determinar quais componentes específicos na estrutura dos grilos são capazes de melhorar a saúde. Eles também esperam que outras equipes se interessem em conhecer melhor os efeitos do consumo de insetos no organismo humano. “Com o que sabemos sobre a microbiota intestinal e sua relação com a saúde humana, é importante estabelecer como um novo alimento pode afetar as populações microbianas do intestino”, comentou Tiffany.

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