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Memória: vítimas da tragédia potiguar

Hugo, Stella e o bebê Sol morreram na Praia da Pipa

Por Da Redação Atualizado em 19 nov 2020, 20h53 - Publicado em 20 nov 2020, 06h00

Hugo e Stella tiraram uma manhã para descansar na terça-feira 17. Donos de uma pousada em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, o casal sabia que, com a chegada do verão, apesar do movimento reduzido em decorrência da pandemia, essas brechas seriam raras. Pegaram o filho de apenas 7 meses, chamaram o cachorro da família e foram passear na Praia da Pipa, conhecido ponto turístico da região, a cerca de 100 quilômetros de Natal. Um baque surdo foi o prenúncio de uma tragédia: parte da escarpa que rodeia o litoral, chamada de falésia, desmoronou repentinamente, soterrando os pais, a criança e o animal de estimação. Pessoas que presenciaram o acidente lançaram-se sobre os escombros para tentar resgatar a família debaixo das pedras. O bebê ainda respirava quando foi tirado dos braços da mãe, indicando que, até o último segundo, ela tentou protegê-­lo. Uma médica que estava por perto fez o que podia para reanimá-lo, mas não foi possível.

Como uma tragédia assim pode ter acontecido? A prefeitura alega que mapeia todos os pontos de risco e que um fiscal teria alertado o casal sobre o perigo pouco antes do desabamento. Hugo Pereira era paulista de Jundiaí e tinha 32 anos. Stella Souza, um ano mais velha, era potiguar. Eles se conheceram quando Hugo, nômade por vocação, depois de muitas viagens com sua Kombi pelo país afora, decidiu fixar-se em Tibau. O filho, luz de suas vidas, chamava-se Sol.

Os olhos do mundo

HISTÓRIA - O fotógrafo com uma de suas imagens do conflito de maio de 1968: estrela da agência Magnum – Patrick Kovarik/AFP

Não houve conflito na segunda metade do século XX que tenha escapado das lentes do fotógrafo nascido no Marrocos e radicado em Paris Bruno Barbey. Ele esteve no Vietnã, no Camboja, em países da África, na Polônia durante os últimos dias do regime comunista e em muitas outras porções do mundo onde havia contradições a ser registradas em preto e branco ou em cores — em 1966, passou uma temporada retratando as desigualdades da Amazônia brasileira. Mas nenhum momento histórico ajudou a definir de modo mais contundente o trabalho de Barbey do que as manifestações de maio de 1968 em Paris. Se existe uma impressão coletiva das barricadas parisienses, não seria exagero dizer que foi criada pelo repórter fotográfico. Jovem prodígio, ele entrou na lendária agência Magnum aos 15 anos, levado por ninguém menos que Henri Cartier-Bresson e Marc Riboud. Barbey morreu aos 79 anos, em Orbais-l’Abbaye, na França, depois de uma embolia pulmonar.

Publicado em VEJA de 25 de novembro de 2020, edição nº 2714

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