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Em busca do reequilíbrio

Depois de dispensar 800 funcionários e cortar 9 títulos de seu portfólio, o Grupo Abril, que publica VEJA, pede um fôlego à Justiça para tentar se reerguer

Por Marcelo Sakate - 17 ago 2018, 07h00

O Grupo Abril, uma das maiores e mais tradicionais empresas de comunicação do país e dono da editora de mesmo nome, que publica VEJA há cinquenta anos, entrou com um pedido de recuperação judicial na quarta-feira. O documento foi protocolado na Vara de Recuperações Judiciais e Falências de São Paulo e será analisado nos próximos dias por um juiz a ser designado. A medida tem o objetivo de criar condições para que a Abril consiga renegociar com os credores as suas dívidas, que somam 1,6 bilhão de reais, e recuperar o equilíbrio econômico-financeiro. Fazem parte do grupo a Abril Comunicações, que mantém a Editora Abril e dezesseis revistas e sites; a gráfica, a maior da América Latina; a Dipar, empresa de distribuição de publicações; e a Total Express, distribuidora de encomendas.

Uma das causas das dificuldades financeiras da Abril é a crise do modelo de negócio de comunicação impressa, um fenômeno global. As receitas com publicidade estão em queda. Em 2017, a empresa faturou 978 milhões de reais, mas, ainda assim, fechou o ano com prejuízo de 332 milhões de reais.

Há um mês, a família Civita, fundadora e controladora da Abril, contratou a consultoria Alvarez & Marsal, especializada em reestruturação empresarial, para assumir a gestão do grupo. Antes do pedido de recuperação judicial, a Alvarez & Marsal promoveu uma série de medidas para diminuir o prejuízo operacional, o que incluiu o fechamento de nove títulos e a demissão de cerca de 800 funcionários, reduzindo-se o quadro para um total de 3 000 empregados.

Aceito o pedido pela Justiça, o pagamento da dívida ficará suspenso pelo prazo de 180 dias, período no qual a Abril estará também protegida de eventuais execuções de credores. Quando a recuperação judicial se iniciar, nos próximos dias, a empresa terá dois meses para apresentar um plano de pagamento aos credores. Haverá então um período de negociações entre as partes até que se conclua que o plano pode ser submetido à votação dos credores em assembleia. Se aprovado pela maioria, a Abril precisará cumpri-lo rigorosamente para que consiga sair da recuperação no futuro. Em nota divulgada na quarta-feira, o grupo disse: “A Abril reforça que continuará operando normalmente e fornecendo a seus leitores produtos de alta qualidade editorial, em compromisso com sua história na imprensa brasileira e em respeito aos seus públicos e parceiros”.

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Publicado em VEJA de 22 de agosto de 2018, edição nº 2596

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