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Vai parecer retaliação a Moro, diz Olimpio sobre recriação de ministério

Senador enxerga um processo de fritura do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, e afirma que discussão criará desgaste do governo com a população

Por André Siqueira - 23 jan 2020, 18h22

O senador Major Olimpio (PSL-SP) afirmou, nesta quinta-feira, 23, que não vê “a menor razão” para a recriação do Ministério da Segurança Pública. Para o parlamentar, o movimento será encarado pela população como “uma retaliação” ao ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro.

“Fui um dos que mais defendeu a recriação do ministério, mas, neste momento, não vejo a menor razão para isso, tendo em vista que o presidente Bolsonaro e o governo estão cantando vitória pela redução da criminalidade do país. Vai parecer retaliação a Moro, e vai gerar um desgaste perante a população”, disse em entrevista a VEJA.

A recriação do Ministério da Segurança Pública voltou à pauta após a reunião do presidente Jair Bolsonaro com secretários estaduais de segurança pública, que estiveram em Brasília na quarta-feira 22. A pasta foi criada no governo do ex-presidente Michel Temer, e anexada ao Ministério da Justiça quando Bolsonaro assumiu o Executivo. Na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta quinta-feira, o presidente da República afirmou que se o ministério for criado, Moro ficará na Justiça.

Na avaliação de Olimpio, que vê na discussão sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública um processo de fritura de Moro, a popularidade do ministro “pode estar fustigando brilhos políticos de pessoas interessadas em ocupar a pasta”. “Me causa estranheza uma discussão desta natureza agora. Afinal, a eficiência orçamentária do ministério comandado por Moro hoje é altíssima. Você vai dizer mesmo à população que está tirando a segurança pública do guarda-chuva dele para poupá-lo de trabalho?”, questionou. Olimpio ressalta que não conversou com Moro desde que o assunto voltou à pauta, mas afirma acreditar que, caso Bolsonaro concretize a intenção, dificilmente o ex-juiz federal permanecerá no cargo.

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Para o senador, o governo precisa ter cautela para definir o que fazer com a segurança pública, uma das bandeiras de Bolsonaro. “Ninguém torce para o jacaré no filme do Tarzan. Segurança pública é assunto sério e nem mesmo quem faz oposição ao governo torce contra. Vamos dividir a estrutura para que? É passar um atestado de que Moro e a estrutura montada por ele não agradaram”, disse.

Questionado sobre a eventual indicação do ex-deputado Alberto Fraga (DF), amigo próximo de Bolsonaro, para a pasta da Segurança Pública, Olimpio foi taxativo. “O governo ganharia tendo Fraga em um ministério, mas o ideal seria que ele ocupasse um dos quatro ministérios no Palácio do Planalto, para ser um grilo falante de Bolsonaro lá”, disse. “[No Planalto] Está em baixa o Onyx Lorenzoni [ministro da Casa Civil], seria só trocar DEM por DEM”, acrescentou.

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