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Trocas em ministérios evidenciam Dilma isolada e perdida

Quadro da máquina petista, Edinho Silva vai cuidar das verbas de publicidade do governo. Renato Janine Ribeiro será o novo titular da Educação

Por Da Redação 27 mar 2015, 22h50

Ao nomear dois novos auxiliares nesta sexta-feira, Edinho Silva (Comunicação Social da Presidência) e Renato Janine Ribeiro (Educação), Dilma Rousseff deu mais uma demonstração de que segue isolada e incapaz de formar um time que reúna duas características: competência técnica e afinidade pessoal com ela própria. No caso de Edinho, Dilma cedeu ao PT as verbas de publicidade da Secom. Como o controle da comunicação é uma obsessão ideológica do partido, ela põe sob suspeita a isenção na partilha desse dinheiro. No caso de Janine, ela entregou um ministério-vitrine a um filósofo sem filiação partidária, que vinha fazendo duras críticas públicas ao governo, e que não tem nenhuma experiência administrativa ou conhecimento profundo da área em que vai atuar.

A terceira troca programada para ocorrer no ministério é a indicação do peemedebista Henrique Eduardo Alves, ex-presidente da Câmara dos Deputados, para a pasta do Turismo – já controlada pelo seu partido.

Edinho Silva é um legítimo quadro da máquina petista: foi deputado estadual, prefeito da cidade de Araraquara duas vezes e também presidiu a seção paulista do PT. Desde 2010, quando atuou na coordenação da campanha de Dilma, o partido já pressionava para que ele exercesse a função no Palácio do Planalto. No ano passado, quando ninguém queria a árdua tarefa de cuidar do caixa da campanha à reeleição, Edinho aceitou a missão.

Se depender dos interesses do presidente do PT, Rui Falcão, que têm a aprovação da maioria dos quadros administrativos da sigla, a tarefa de Edinho já está definida: o governo deve restringir a veiculação de publicidade nos veículos de comunicação que apoiaram as manifestações de 15 de março contra a presidente Dilma Rousseff. Em reunião fechada da legenda na semana passada, Falcão disse que é preciso “quebrar o monopólio da mídia” por meio de “uma nova política de anúncios para os veículos da grande mídia”.

Renato Janine Ribeiro chega ao Ministério da Educação como uma incógnita. Apesar da simpatia confessa ao PT, Janine nunca foi filiado ao partido. Fez críticas ao governo e à presidente desde a reeleição, na imprensa e nas redes sociais. Para ascender ao ministério, pode ter contado com o apadrinhamento do prefeito de São Paulo Fernando Haddad e do vice-presidente da República Michel Temer (PMDB), com quem Janine se encontrou recentemente e a quem Dilma tem ouvido mais depois do agravamento da crise com a sigla aliada.

Caso Ribeiro devolva o atual ministro interino Luiz Cláudio Costa ao cargo de secretário-executivo, que ele ocupava até a queda de Cid Gomes, pode-se dizer que o PT mantém o controle sobre a burocracia do ministério. Costa é quadro mineiro do partido, próximo do governador recém-eleito Fernando Pimentel.

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