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Termina bloqueio de pescadores no Porto de Itajaí

Protesto impediu a navegação de um cruzeiro da empresa espanhola Pullmantur que saiu de Santos (SP) rumo a Montevidéu, no Uruguai

Por Da Redação
6 jan 2015, 16h05

Terminou na tarde desta terça-feira o protesto de pescadores que interrompeu a navegação no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, e bloqueou, inclusive, um cruzeiro de turismo com 2.600 pessoas que seguia para Montevidéu, no Uruguai. Cerca de 200 barcos estavam ancorados desde as 17 horas de segunda-feira no Rio Itajaí-Açu. Os pescadores protestavam contra uma portaria do Ministério da Pesca, publicada no Diário Oficial da União em 17 de dezembro, que proíbe a pesca de 475 espécies em extinção. Segundo a Globo News, os pescadores encerraram o bloqueio após o governo federal se comprometer a incluir o setor pesqueiro regional no debate que define as espécies ameaçadas de extinção. O protesto durou 30 horas.

Ao menos dois sindicatos – Armadores e Indústria da Pesca (Sindipi) e o dos Trabalhadores da Indústria da Pesca (Sitrapesca) – reclamam que a categoria não foi consultada pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para elaborar a lista dos peixes que não podem ser capturados. O vice-presidente do Sindipi, Fernando Pinto das Neves, classificou a portaria como um “absurdo” e prevê um prejuízo de 25% a 30% na renda dos pescadores.

O sindicalista explica que as espécies, entre elas cherne, bagre, cação, arraia e garoupa, acabam sendo capturadas de qualquer jeito quando os pescadores lançam suas redes ao mar – a diferença é que, devido à portaria, eles teriam que separar os peixes e devolvê-los à água. O principal pleito da categoria é que a lista com as proibições seja elaborada levando em conta a demanda comercial das espécies. Segundo os sindicatos, há cerca de 60.000 pessoas que trabalham no setor na região. Neves afirmou que o protesto devia acabar após a categoria conseguir uma reunião com o ministro da Pesca, o recém-empossado Helder Barbalho.

Em nota, o Ministério da Pesca afirmou que em 8 de janeiro será criado um Grupo de Trabalho para analisar as espécies de peixes e invertebrados aquáticos que compõem a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna ameaçadas de Extinção.

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A bordo – Enquanto prosseguia o impasse sobre a portaria do Ministério da Pesca, no cruzeiro os cerca de 1.800 passageiros e 800 tripulantes foram obrigados a permanecer a bordo. O site do jornal Diário Catarinense reproduziu e-mail de um passageiro que relatou estar impedido de sair da embarcação. “Estamos totalmente ilhados e cerceados de nossos direitos de ir e vir por conta de um manifesto que já provou não ser tão pacífico e ordeiro assim. Alguns tripulantes foram hostilizados no convés do navio por pescadores da região, mesmo dentro dos barcos deles e a alguns metros de distância.”

O cruzeiro Empress, da empresa espanhola Pullmantur, saiu de Santos (SP) no último dia 4 e chegou a Itajaí na tarde de segunda-feira. O itinerário previsto era deixar a cidade catarinense rumo a Montevidéu, no Uruguai, às 17 horas do mesmo dia. Em seguida, a viagem seguiria para Buenos Aires, na Argentina, e retornaria ao Porto de Santos. De acordo com a Pullmantur, o clima entre passageiros e tripulantes é calmo e há abastecimento suficiente de comida e bebida. A empresa aguarda para as próximas horas a liberação do cruzeiro.

(Com Estadão Conteúdo)

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