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‘Tem muito machismo nas críticas que recebi’, diz Tabata Amaral

Por votar a favor da reforma da Previdência, a deputada responde a um processo no PDT que poderá resultar em sua expulsão do partido

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 25 ago 2019, 15h17 - Publicado em 25 ago 2019, 15h07

Ameaçada de expulsão pelo PDT por ter votado a favor da reforma da Previdência, a deputada Tabata Amaral (SP) atribui muitas das críticas que recebeu ao machismo. “Se eu não fosse uma mulher de 25 anos, ninguém estaria afirmando que A, B, C ou D disseram como eu voto”, afirmou.

Tabata se referia às críticas que ouviu de pessoas ligadas até ao próprio partido, incluindo o ex-ministro Ciro Gomes, de que sua agenda era pautada por agentes externos, como a Fundação Lemann. “Trabalhei desde os sete anos de idade, e vem um povo dizendo que fulano é responsável por tudo que você faz e como vota. Tem muito machismo nisso” disse.

Sobre o risco de ser expulsa do partido, ela disse que, se isso acontecer, vai procurar uma legenda que tenha como prioridade a pauta da Educação. Ela admitiu ter recebido convites informais de várias siglas, mas só abrirá negociações se o PDT decidir retirá-la do seu quadro de filiados.

“Sou de centro-esquerda. Escolhi o PDT porque acreditava, naquele momento, que era o lugar que teria mais espaço para defender minha agenda de Educação. Se o PDT me expulsar, e essa decisão é deles e não minha, porque não converso com o Conselho de Ética, vou para um partido que tenha essa pauta como prioritária. Agora, para qual partido eu vou, não dá para conversar. Eu não fui expulsa”, disse.

  • Tabata afirmou ter ficado “muito frustrada com a falta de compromisso em relação ao que o PDT havia defendido na campanha” eleitoral de Ciro Gomes. Ela rechaça a alegação de que foi incoerente ao descumprir a recomendação do partido com relação à reforma da Previdência. “Quem me perguntou, quem se preocupou, seja entrevistador, seja população, [sabe que] eu fui muito coerente. Eu acho que precisavam de um bode expiatório para este processo.”

    Aos 25 anos, Tabata é a segunda parlamentar mais jovem da atual legislatura, e declara que se espelha na deputada americana Alexandria Ocasio-Cortez, do Partido Democrata. Descendente de porto-riquenhos e eleita pela força das redes sociais, Alexandria é a mulher mais jovem a ocupar uma cadeira no Congresso nos EUA.

    Embora atuante, Tabata diz lidar com as redes sociais de forma ponderada. “Redes não são um fórum democrático para ouvir pessoas e tomar decisão. Para mim, as redes servem mais para comunicar seu mandato, ser transparente.”

    “Eu já fui chamada de débil mental por falar que não acho que dá para ouvir a população ouvindo as redes sociais. Não dá para fazer nada pensando em números de likes. Não é um reposicionamento [da minha imagem]. O que eu acredito, não mudou”, declarou a deputada.

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