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‘Recebi 15 mil ataques’, diz deputado que pediu impeachment de Bolsonaro

'O Brasil não pode esperar nada de um governante que desacredita as instituições e afronta a democracia', diz o parlamentar

Por João Batista Jr. Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 18 mar 2020, 11h07 - Publicado em 18 mar 2020, 10h43

Formado em sociologia pela UnB, o deputado distrital Leandro Grass, de 34 anos, passou de político desconhecido a assunto nacional. Ele protocolou na terça, 17, um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O efeito foi imediato. Grass recebeu mais de 15 000 ataques em redes sociais, ainda não falou sobre o assunto com Rodrigo Maia e avalia que terá adesão da sociedade e do mercado.

Por que o senhor decidiu protocolar o impeachment de Jair Bolsonaro? Era algo que vinha sendo discutido há tempos dentro do partido, a Rede, mas que se fez necessário principalmente após o episódio de domingo, 15. O presidente Jair Bolsonaro convocou uma manifestação contra o Congresso e o STF e, além desse ato não ter amparo em lei, ele próprio foi à manifestação sabendo da pandemia do coronavírus. Eu informei sobre minha decisão ao partido, que comunicou os diretórios estaduais.

O senhor chegou a falar com o Rodrigo Maia sobre o pedido? Não. Ontem, mandei mensagem e liguei, mas ele não retornou. A agenda dele nesses dias está atribulada. Espero em breve conversar com ele. O meu desejo é que o impeachment aconteça o mais breve possível, que o Maia acate e coloque os trâmites em andamento.

O Brasil passou por um impeachment há pouco tempo. O país aguentaria mais um processo desses? Eu não apoiei o governo de Dilma Rousseff, mas tampouco aderi ao impeachment. O argumento da pedalada fiscal não se sustenta. Esse mesmo recurso havia sido usado por outros políticos. De todo modo, um argumento da época era que a saída de Dilma alavancaria a economia. Não foi verdade. Não vimos as reformas serem feitas, estamos em colapso neste exato momento. O governo Jair Bolsonaro não apoia as reformas, sobretudo a tributária. Sabe que ela atacaria as classes mais ricas, que neste momento formam a sua base de apoio.

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O impeachment encontraria apoio da sociedade? A sociedade não aguenta um presidente que viola regras básicas. Sabemos com o processo de impeachment é um ato político também, mas vejo o mercado bem insatisfeito com Bolsonaro. O câmbio está alto, a economia está ruim e agora o coronavírus deve agravar ainda mais as coisas. O Brasil não pode esperar nada de um governante que desacredita as instituições e afronta a democracia. Há alguns ministros bons trabalhando, como o Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura). Mas daí o presidente vem e boicota o Mandetta justamente durante a crise do coronavírus.

O senhor tem sido atacado após ter protocolado o impeachment? Existe um exército de apoiadores que atacam com virulência. Recebi cerca de 15.000 mensagens de ataques, algumas falando para eu não sair na rua e ameaçando minha integridade física, após o deputado Eduardo Bolsonaro postar sobre o pedido no Twitter dele. Estou selecionando as ameaças e farei um boletim de ocorrência.

A Marina Silva, principal nome da Rede, apoiou o seu pedido? Eu ainda não falei com ela, mas a Marina tem sido contundente nas críticas ao governo federal sobretudo na questão dos desmandos das políticas ambientais. Não concordo com quem diz que ela fica alheia. A Marina tem sido muito participativa na vida pública.

O senhor avalia que seu pedido de impeachment ajudará a ganhar maior adesão ao panelaço planejado para esta quarta, às 20h30? Sim, avalio que o pedido ganhou uma proporção grande e encontrou eco em um sentimento de insatisfação de muitas pessoas.

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