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Queiroz diz por que depositou 89 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro

Pergunta foi uma das que mais viralizaram durante a investigação sobre 'rachadinha' no gabinete de Flávio Bolsonaro

Por Caio Sartori, Sofia Cerqueira Atualizado em 20 mar 2022, 16h57 - Publicado em 19 mar 2022, 08h30

Homem de confiança dos Bolsonaro e suposto operador do esquema de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz deu a VEJA, na entrevista que concedeu esta semana, sua versão para uma das perguntas mais marteladas nas redes sociais desde a explosão do caso, no mês seguinte às eleições de 2018. Por que, afinal, o assessor depositou 89 000 reais na conta de Michelle Bolsonaro, mulher do presidente da República? O policial da reserva, de 56 anos, alega que o montante, que teria sido pago em cheques fracionados, foi destinado a pagar três empréstimos feitos a ele em momentos diferentes por Jair Bolsonaro, seu amigo há quase quarenta anos. O PM, na época soldado, e o atual mandatário, que era capitão, se conheceram na Brigada Paraquedista, da Vila Militar do Exército do Rio de Janeiro.

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Nos argumentos sustentados por Queiroz, ele teria pedido inicialmente 20 000 reais para cobrir um buraco no cheque especial. Depois, os outros dois empréstimos, de 30 000 e 40 000 reais, seriam para ajudar na compra de dois carros: um da marca Honda e o outro blindado. “O Rio é muito perigoso”, alega o policial, que se vangloria de ter recebido honrarias pelo trabalho na corporação. “O Jair me emprestou, eu com a maior vergonha de pedir o dinheiro. Ele é assim (exibe a mão fechada). Esse cara não olha nem para mulher na rua, é de casa para o trabalho. Foi um pai para mim”, descreve o ex-assessor-segurança-motorista da família Bolsonaro.

Mas então por que o dinheiro, que Queiroz afirma ter sido devolvido parcelado sempre em dez vezes do total de cada empréstimo, foi parar na conta de Michelle? “Você não confia na tua mulher, não?”, questiona o PM para um dos repórteres. “Deputado não tem tempo para nada. Não é melhor dar um cheque para a mulher e todo mês você tem lá o seu chequinho?”

Outro ponto envolvendo movimentações financeiras que entrelaçam Queiroz e a família Bolsonaro diz respeito a um depósito em espécie de 25 000 reais feito pelo então assessor de Flávio para a conta da mulher dele, Fernanda. Queiroz foi flagrado na boca do caixa, como consta no processo do Ministério Público do Rio de Janeiro, fazendo a transação. “Na hora de depositar uma determinada quantia, é preciso dar o CPF. Eu fiquei ligando para o Flávio para pegar o número do documento dele, mas estava no plenário e não me respondia”, justifica. “Aí perguntei para o caixa: posso botar o meu CPF? E botei o meu. Juro pela felicidade das minhas filhas”, completa, dando a entender que o dinheiro era do próprio patrão Flávio.

Quando questionado sobre o fato de ter pago contas da família do ex-deputado, como o plano de saúde e a escola das crianças, Queiroz minimiza: não haveria problema nenhum nisso, e ele próprio já teria pedido para pagarem seus boletos. O policial se estressa ao ser perguntado sobre as transações imobiliárias de Flávio, um dos pontos mais importantes da investigação do MP quando os promotores se debruçam sobre a lavagem do dinheiro supostamente desviado da Alerj. “Isso é problema dele lá, negócio de imóveis. Não tem nada a ver comigo.”

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