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PSB deve se antecipar a Dilma e deixar o governo

O presidente da legenda Eduardo Campos foi pressionado a decidir pela entrega dos cargos já que pode ser adversário da presidente nas eleições de 2014

Por Da Redação 17 set 2013, 22h21

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) deve se antecipar ao Palácio do Planalto e anunciar a entrega dos cargos que têm no governo Dilma Rousseff – Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) e Leônidas Cristino (Secretaria de Portos). O partido se reúne nesta quarta-feira, 18, para tentar convencer a ala dilmista da legenda a acatar a decisão. Também será decidido que não haverá retaliação ao PT nos Estados governados pelos socialistas.

Os motivos da decisão foram explicitados nesta terça por Eduardo Campos, presidente do PSB e possível candidato ao Palácio do Planalto em 2014. “Os cargos nunca precederam nem orientaram a aliança que fizemos há mais de dez anos com a frente política que está no poder”, disse. “Nossa relação com os governos de Lula e de Dilma sempre foi de apoio desinteressado”, completou o governador de Pernambuco.

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Conforme o jornal O Estado de S. Paulo noticiou na última quinta-feira, Dilma tinha decidido demitir os ministros do PSB por causa de queixas dos partidos aliados do nordeste sobre a posição ambígua de Campos. Apesar de integrar a base aliada com postos importantes, como o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria Especial de Portos, o presidente do PSB articulava candidatura presidencial contra a petista. Mas na última sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convenceu Dilma a recuar. Lula acha que ainda é possível dobrar Campos e adiar a candidatura para 2018.

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Entretanto, a direção do PSB sentiu-se constrangida com a situação e nesta terça, durante almoço, Campos defendeu a entrega dos cargos. O líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), disse que “o partido está constrangido com as ameaças que vêm sendo feitas por intermédio dos jornais. Nós nunca brigamos por cargos”. Integrantes do PSB lembraram que, em janeiro de 2012, o ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho procurou Dilma para falar da sua decisão de sair. A presidente não aceitou o pedido de demissão. O PSB então divulgou nota dizendo que permanecia no governo, mas não por causa dos cargos.

Apesar da saída dos integrantes da legenda do governo Dilma, a decisão não significa o anúncio da candidatura de Eduardo Campos à sucessão presidencial. “A decisão sobre o debate sucessório só ocorrerá em 2014. Essa é uma decisão tomada pelo partido lá atrás e será cumprida”, declarou Campos. Ele tentou empurrar a decisão de devolver os cargos para o ano que vem. Mas durante o almoço desta terça com a cúpula do PSB ele foi convencido a convocar a reunião extraordinária da Executiva para esta quarta para o anúncio oficial.

Cid Gomes – No encontro, também haverá uma tentativa de forçar o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), a obedecer o que for decidido pela Executiva. Como ele é favorável a que o partido permaneça no governo, terá de seguir a decisão que for tomada.

Sabe-se que Gomes, ao tomar conhecimento de que poderia haver o rompimento com o governo e a consequente entrega dos cargos, planejou filiar o ministro Leônidas Cristino no PROS, partido que está sendo criado. Mas agora poderá ficar de mãos amarradas a não ser que deixe o PSB, o que pode ocorrer. Cid Gomes negocia também a filiação de alguns aliados no Solidariedade, o partido que o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) está criando.

A executiva do PSB deve anunciar ainda que o partido não tomará nenhum cargo do PT ou de outros aliados que façam parte da equipe de governos socialistas. Campos disse, por exemplo, que não vai fazer nenhuma mudança em seu secretariado por causa da decisão do partido. Chegou a comentar que Dilma pode contar com o apoio da legenda no Congresso.

(Com Estadão Conteúdo)

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