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Políticos do PP receberam ‘mesada’ de até R$ 750 mil desviados da Petrobras, diz Youssef

Segundo o doleiro, Pedro Corrêa, que presidiu a legenda, continuou recebendo mesmo depois de cassado e ainda durante o julgamento do mensalão

O doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, disse nesta segunda-feira que políticos do Partido Progressista (PP) receberam repasses mensais de até 750.000 reais em propina, a partir de dinheiro desviado na Petrobras, durante a campanha eleitoral de 2010. Em depoimento do juiz Sergio Moro, Youssef citou quatro beneficiários preferenciais da propina do PP – o atual deputado federal Nelson Meurer, o ex-ministro das Cidades Mario Negromonte e os ex-deputados Pedro Corrêa e João Pizzolatti.

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Os quatro eram, na versão do delator, os principais beneficiários da propina enviada ao partido depois da morte do ex-deputado José Janene, parlamentar responsável pela indicação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Nos repasses de dinheiro sujo, houve remessas de dinheiro para lideranças do partido e até na casa de Negromonte na época em que ele ocupava a pasta das Cidades, no primeiro mandato do governo Dilma Rousseff. “Eles dividiam as propinas entre eles”, resumiu.

“Dentro do PP, a distribuição de dinheiro era feita por Janene. Depois, quem passou a direcionar os valores foram os líderes no partido, na época (…) Mario Negromonte, Joao Pizzolatti, Pedro Corrêa e Nelson Meurer. Eram 200.000 reais a 500.000 reais, até 750.000 reais por mês na época da campanha de 2010. [Em 2010] Foi onde se arrecadou mais e por isso eles recebiam mais para poder fazer campanha. Fora da época de campanha, recebiam menos”, disse Youssef. Depois da propina encaminhada aos caciques da legenda, parte do dinheiro era enviado para outros políticos pepistas.

O doleiro estimou que repassou, apenas no ano de 2010, 7,5 milhões de reais em propina para o ex-presidente do PP Pedro Corrêa, deputado cassado e condenado no julgamento do mensalão por corrupção e lavagem de dinheiro. Nas investigações da Operação Lava Jato, em uma agenda do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa constava que a propina a Corrêa tinha sido de 5,3 milhões de reais. “Depois houve novos repasses”, disse Youssef ao justificar a diferença de valores.

Segundo o doleiro, Pedro Corrêa continuou recebendo dinheiro desviado da Petrobras mesmo depois de cassado e ainda durante o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Youssef disse que Corrêa não perdeu poder dentro do partido mesmo depois da cassação ou do mensalão. “Ele fazia parte do partido e o compromisso tinha que ser cumprido. Eram feitos os pagamentos normalmente [durante o mensalão]”, disse.

Em depoimento do juiz Sergio Moro, o delator também voltou a dizer que as propinas eram pagas a integrantes do PP porque a presença de Paulo Roberto Costa como diretor de Abastecimento da Petrobras “dependia” do repasse de dinheiro sujo a políticos da legenda.

CPI – O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta segunda-feira habeas corpus a Youssef, garantindo a ele o direito de permanecer em silêncio na acareação de que participará amanhã na CPI da Petrobras. Na CPI, os deputados tentarão explorar possíveis contradições entre Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa para colocar em xeque revelações dos dois principais delatores da Operação Lava Jato.

Youssef e Costa foram os primeiros réus a colaborar com a Justiça e seus depoimentos serviram de base para investigações contra deputados e senadores suspeitos de embolsar propina do petrolão, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na decisão em que garante o direito de Youssef não se autoincriminar na CPI, o ministro Teori Zavascki afirma que o doleiro pode ser acompanhado por advogados na comissão de inquérito e que não é obrigado a assinar o termo de compromisso de dizer a verdade.