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Plebiscito de Dilma divide até o PT

Ala do partido critica presidente; "O que falta no governo Dilma é gestão", diz deputado petista

Por Da Redação
4 jul 2013, 10h17

O plebiscito proposto pela presidente Dilma Rousseff divide até o PT. Embora a Executiva Nacional petista deva aprovar nesta quinta-feira um cronograma de mobilização conclamando os militantes a se engajarem na campanha em defesa do plebiscito, a consulta popular não tem apoio unânime nem mesmo na bancada do PT na Câmara. Em meio à polêmica, o coro do “Volta, Lula” agora é ensaiado por uma ala do partido que faz críticas contundentes à articulação política do governo Dilma. “Já está na hora de o Lula voltar”, afirmou o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Autor da proposta de terceiro mandato para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Devanir disse que os protestos nas ruas tiveram outra motivação. “Quem pediu plebiscito? O que falta no governo Dilma é gestão. As pessoas querem transporte de qualidade, saúde e educação. Dinheiro tem. É só investir”, disse. Leia também: O golpe da consulta popular Os interesses do PT e o lado oculto do plebiscito de Dilma Ministros – Para Devanir, a presidente continuará enfrentando problemas na base aliada, e não só com o PMDB, enquanto não der autonomia aos ministros para fazer a articulação política. “A Ideli [Salvatti], coitada, é como um elefante numa loja de cristais”, definiu o deputado, numa referência à ministra das Relações Institucionais, responsável por negociar com o Congresso. Amigo de Lula há mais de trinta anos, Devanir afirmou que a reforma política é assunto para “outro departamento”. A proposta enviada por Dilma ao Congresso prevê que a população seja consultada sobre cinco pontos: financiamento de campanha, sistema de votação, término dos suplentes no Senado, voto secreto no Parlamento e fim das coligações partidárias. “Eu sou contra esse plebiscito, mas voto com o governo. Agora, querer jogar para o povo uma coisa que não conseguimos resolver há mais de dez anos não vai dar certo”, insistiu Devanir. “Essa reforma é para salvar os partidos, não é de interesse da sociedade.” Na sua avaliação, a convocação de Constituinte exclusiva para votar a reforma seria mais apropriada. A sugestão chegou a ser feita por Dilma, mas ela recuou diante de críticas de políticos e juristas. Crise – Na tentativa de amenizar a crise, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse ontem que as discordâncias em relação ao plebiscito são “naturais”. A bancada do PMDB na Câmara fechou questão contra a realização do plebiscito neste ano e, a portas fechadas, considerou a iniciativa “manobra”.

(Com Estadão Conteúdo)


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