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PGR vai investigar senador Demóstenes Torres

Gravações revelam relacionamento suspeito entre senador do DEM e Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia que controlava caça-níqueis em Goiás

Por Luciana Marques e Gabriel Castro - 27 mar 2012, 17h29

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito para investigar o relacionamento entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia que controlava os caça-níqueis em Goiás. De acordo com a assessoria da PGR, Gurgel pretende apurar “possíveis condutas ilícitas de pessoas com foro privilegiado originadas em investigação em Goiás”.

A informação também foi divulgada por parlamentares da Frente Mista de Combate à Corrupção, que se reuniram nesta terça-feira com o procurador-geral, em Brasília. Participaram do encontro o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), o deputado Francisco Praciano (PT-AM) e o deputado Paulo Rubem Santiago Ferreira (PDT- PE).

A decisão do procurador-geral foi comemorada por parlamentares. “Todos nós ficamos contentes porque isso é um dever funcional da PGR”, disse o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA). “Gurgel poderia ter feito isso sem que nós apresentássemos a representação, mas ele preferiu assim”, completou. O pedido de abertura de investigação foi feito por PSOL, PT, PSB e PDT.

Os parlamentares cobraram do procurador-geral cópia do inquérito da Polícia Federal sobre o caso. Após a análise do documento na Corregedoria do Senado, os senadores decidirão sobre a necessidade de abertura de investigação também no Conselho de Ética. Gurgel encaminhou o pedido dos parlamentares ao STF. O líder tucano, senador Alvaro Dias (PR), avalia que a casa não deve começar a investigação do zero. “Há um inquérito e isso é suficiente para dissipar os questionamentos do Senado”, disse.

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Afastamento – Na berlinda após as acusações, Demóstenes Torres pediu nesta terça-feira afastamento da liderança do DEM no Senado. O presidente do partido, senador José Agripino Maia (RN) vai substitui-lo no cargo.

Agripino não descartou a possibilidade de expulsão de Demóstenes do partido, assim como ocorreu com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, em 2009. “O partido não vai hesitar nem um minuto em tomar as mesmas providências, se as evidências se mostrarem iguais”, disse.

Como mostrou VEJA, Demóstenes recebeu de Cachoeira um presente de casamento no valor de 30 000 reais. Mas esse parece ser o menor dos problemas. Gravações feitas pela Polícia Federal (PF), também divulgadas por VEJA, revelam que o senador trocava confidências com o amigo e usava aeronaves cedidas pelo explorador de caça-níqueis.

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