Clique e assine a partir de 9,90/mês

PF investiga vazamento de quebra do sigilo de Lula

Por Da Redação - 4 mar 2016, 10h28

O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula disse nesta sexta-feira que a Operação Lava Jato investiga o vazamento de informações sobre a quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme o titular da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, em Curitiba (PR), já foi instaurado um inquérito. Os investigadores também acusam petistas de tentarem atrapalhar as diligências da Lava Jato. O PT e até a presidente Dilma Rousseff têm feito discursos duros contra o “vazamento seletivo de dados” que vão contra seus interesses.

“Durante a semana, infelizmente, a gente tem indício de um vazamento concreto de informações relacionada à quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente”, disse o delegado. “Na última semana, a gente detectou a movimentação de pessoas ligadas de alguma forma ao ex-presidente e seus amigos no sentido de mobilizar pessoas para tentar prejudicar as diligências de hoje.”

No último fim de semana, após o Ministério Público Federal ter representado ao juiz Sérgio Moro, Lula afirmou ter sido informado das medidas que a Lava Jato pleiteava. Em evento do PT no Rio de Janeiro, Lula relatou já saber que teria os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados. “Recebi uma intimação de que, a partir de segunda­-feira, vão quebrar meu sigilo bancário, telefônico, fiscal. O meu, da Marisa, do meu neto, se precisar até da minha netinha de um mês”, ironizou.

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima disse que o MPF também vai participar da investigação. Ele afirmou que “os vazamentos são deletérios para as investigações” e que “muitos dos fatos já eram de conhecimento de investigados”. “Vamos iniciar investigação à parte sobre esses vazamentos. Eles não interessam ao MPF, à PF ou à Receita. Eles facilitam a destruição de provas.”

Continua após a publicidade

O procurador disse que os envolvidos no vazamento podem ser presos: “É o momento de sermos republicamos. Não há ninguém isento à investigação nesse país. Prevaleceu a tese de que ele tinha que ser ouvido.”

Lula está sendo ouvido, por medida de segurança, desde as 8h da manhã na delegacia da PF no Aeroporto de Congonhas. A PF disse que havia risco de levá-lo até a Superintendência Regional em São Paulo, na Lapa, Zona Oeste da capital paulista. Há manifestações de petistas e antipetistas no Instituto Lula e no Aeroporto de Congonhas, ambos na Zona Sul de São Paulo, e confrontos entre grupos em frente à residência de Lula, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Publicidade