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PF contraria governo e não aponta responsáveis por boatos do Bolsa Família

Policiais investigaram a origem de boatos que causaram pânico em doze estados do país, mas, ao contrário do que afirmaram ministros do governo, concluiu que o episódio não foi armado por partidos de oposição

A Polícia Federal concluiu o inquérito que investigou a origem dos boatos sobre o fim do programa Bolsa Família, mas não conseguiu apontar os responsáveis pela disseminação das notícias falsas em doze estados do país, no mês de maio. Para a PF, um conjunto de “fatores desassociados” espalhou a notícia de que o programa seria suspenso, causando pânico nas agências da Caixa Econômica Federal – foram registrados cerca de 900.000 saques, totalizando 152 milhões de reais.

Após a confusão, ampliada pela tentativa da Caixa de acobertar suas falhas, integrantes do governo chegaram a acusar a oposição pelo episódio. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que partidos de oposição teriam orquestrado os boatos. Na sequência, a presidente Dilma Rousseff admitiu que poderia ter ocorrido uma “falha” no pagamento dos benefícios pela Caixa. Responsável pelo pagamento dos benefícios, o banco público apresentou versões conflitantes sobre o que poderia ter acontecido e, ao final, confirmou ter antecipado o pagamento de benefícios do Bolsa Família em maio.

“O relatório da Polícia Federal aponta que o boato foi espontâneo, não havendo como afirmar que apenas uma pessoa ou grupo tenha causado os boatos envolvendo o Programa Bolsa Família”, diz a PF. “Conclui-se, assim, pela inexistência de elementos que possam configurar crime ou contravenção penal”, afirma.

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Em quase dois meses, a Polícia Federal analisou informações fornecidas pela Caixa e verificou que, em maio, houve volume de saque anormal nas cidades de Ipu (CE) e Cajazeiras (PB). A PF ouviu 64 gerentes da Caixa nos locais onde foram registrados saques e descartou que a origem dos boatos tenha sido notícias em redes sociais, divulgação em rádios comunitárias ou mensagens de telemarketing, como chegou a ser afirmando pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

“A internet e as redes sociais apenas reproduziram notícias veiculadas pela imprensa sobre os tumultos em agências bancárias. Da mesma forma, não ficou configurada a utilização de rádios comunitárias, telemarketing ou empresa contratada para a disseminação da informação de cancelamento do programa”, informou a PF nesta sexta-feira.