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Petrolão movimentou pelo menos R$ 2,1 bilhões, diz MP

Valor se refere somente aos crimes já denunciados. Cerca de 300 milhões de reais dizem respeito unicamente ao pagamento de propina

Por Laryssa Borges - 29 jan 2015, 14h32

A força-tarefa de procuradores que atua nos processos da Operação Lava Jato identificou até o momento que empresários, empreiteiros, ex-diretores da Petrobras e aliados do doleiro Alberto Youssef movimentaram pelo menos 2,1 bilhões de reais por meio de desvio de recursos e lavagem de dinheiro no escândalo do petrolão. A estimativa parcial sobre a operação foi divulgada nesta quinta-feira pelo Ministério Público e leva em conta dados atualizados até dezembro. O número foi antecipado por reportagem do site de VEJA no início deste mês. Deste valor, cerca de 300 milhões de reais dizem respeito unicamente ao pagamento de propina, por meio de empreiteiras, a políticos e ex-dirigentes da Petrobras, como ao ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e ao ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró. Internamente, porém, procuradores que atuam na análise de documentos apreendidos estimam que os valores de propina podem chegar a até 5 bilhões de reais apenas na diretoria comandada por Paulo Roberto Costa.

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De acordo com o MP, somente com as delações premiadas de doze colaboradores, em especial de Costa e do doleiro Alberto Youssef, foi possível chegar à indicação de políticos e empreiteiros que sangraram os cofres da Petrobras em contratos fraudados e lavagem de dinheiro. Por meio dos acordos celebrados pelos réus que aceitaram contribuir com as investigações, já foram recuperados 450 milhões de reais – outros 200 milhões de reais em bens de réus estão bloqueados.

“Se não fossem os acordos de colaboração pactuados entre procuradores da República e os investigados, o caso Lava Jato não teria alcançado evidências de corrupção para além daquela envolvendo Paulo Roberto Costa. Existia prova de propinas inferiores a R$ 100 milhões. Hoje são investigados dezenas de agentes públicos, além de grandes empresas, havendo evidências de crimes de corrupção envolvendo valores muito superiores a R$ 1 bilhão”, diz o MP.

Paulo Roberto Costa assinou acordo de delação premiada no dia 27 de agosto e apontou o nome de deputados, senadores e ex-governadores que receberam propina do esquema criminoso. Reportagem de VEJA revelou que o ex-diretor afirmou à Justiça e ao Ministério Público que políticos da base aliada à presidente Dilma receberam dinheiro do esquema. O rol de citados pelo delator inclui três ex-governadores, senadores, um ex-ministro de Estado do governo Dilma e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. De acordo com depoimento de Costa, o esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula, mas também adentrou a atual gestão da presidente Dilma Rousseff.

Entre os nomes elencados por Costa estão os ex-governadores Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, Eduardo Campos, de Pernambuco, o ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A expectativa é que antes do feriado de Carnaval o procurador-geral da República Rodrigo Janot apresente denúncia contra os políticos envolvidos no esquema ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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Estatísticas – Para desvendar o maior esquema criminoso já investigado no país, houve 161 buscas e apreensões, 37 mandados de condução coercitiva, 60 mandado de prisão cumpridos, doze acordos de delação premiada e 18 acusações criminais contra 86 pessoas por crimes como corrupção, crimes contra o sistema financeiro nacional, tráfico internacional de drogas, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Apenas na fase intitulada Juízo Final, que levou para a cadeia a cúpula das principais empreiteiras do país foram cumpridos 75 mandados: quatro de prisão preventiva, treze de prisão temporária, 49 de busca e apreensão e nove de condução coercitiva.

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