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Os rolos de Sérgio Cabral no comando do Rio

Ex-governador do Rio de Janeiro foi preso nesta quinta-feira na 37ª fase da Operação Lava Jato

Por Da redação - Atualizado em 17 nov 2016, 11h36 - Publicado em 17 nov 2016, 08h23

Preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal, o ex-governador Sérgio Cabral protagonizou, durante sua gestão (2007-2014), alguns episódios de uso e abuso do dinheiro público. Em julho de 2013, VEJA revelou detalhes das viagens que Cabral fazia em helicópteros do governo estadual.

O cachorro Juquinha

Ele costumava usar o helicóptero oficial do governo – um Agusta AW109 Grand New, que Cabral mandou comprar por 15 milhões de reais em 2011 – para viajar com a mulher, os dois filhos, duas babás e o cachorrinho de estimação, Juquinha, para a mansão da família em Mangaratiba. Às sextas-feiras, a aeronave levava todo mundo, menos Cabral. Aos sábados, era a vez de Cabral. Aos domingos, o “helicóptero da alegria”, como chamavam os pilotos, fazia duas viagens, uma delas apelidada de “voo das babás”.

Durante a semana, o ex-governador usava o helicóptero todos os dias para ir trabalhar, ainda que fosse apenas 10 quilômetros a distância entre seu apartamento e o Palácio Guanabara – e de 7 a que separa o palácio do heliporto – em um voo de três minutos de duração.

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A festa do guardanapo 

Em 2012, durante uma viagem Cabral proporcionou outra cena clássica de seu estilo político. Durante uma viagem a Paris em companhia do dono da Delta Engenharia Fernando Cavendish e secretários da alta cúpula do governo apareceu em uma foto com o grupo em um restaurante de luxo com guardanapos da cabeçaO encontro aconteceu em 2009. Na foto aparecem os secretários de Saúde, Sérgio Côrtes, de Governo, Wilson Carlos e outros animados convivas – todos de terno. O então secretário estadual de fazenda, Joaquim Levy, também posou para a câmera. O constrangimento não foi só para o governador. O secretário de urbanismo do prefeito Eduardo Paes foi fotografado. No grupo de amigos, também estava Aloysio Neves Guedes, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio.

O anel de brilhante

Cavendish, que negocia um acordo de delação premiada na Lava Jato, revelou que, em 2009, presenteou a mulher do ex-governador com um anel de brilhantes no valor de 800 mil reais à pedido do próprio Cabral. O ex-governador e o empreiteiro estavam em Mônaco, quando entraram na filial da famosa joalheria Van Cleef & Arpels, na Place du Casino, para pegar o presente que já estava reservado: um anel de ouro branco e brilhantes.

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O anel foi dado durante o jantar, na presença de Cavendish, que estava acompanhado da então namorada, Jordana Kfouri, do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e do então assessor de Cabral, Luiz Carlos Bezerra e as esposas deles. O anel de brilhantes, porém, foi devolvido a Cavendish, quando o empreiteiro e o ex-governador romperam a amizade. Isso aconteceu depois que surgiram revelações de que a Delta usava as empresas do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para lavar dinheiro.

 

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