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Oposição reage a declaração de Paulo Guedes sobre AI-5

O AI-5 é considerado o início do período mais duro da ditadura militar, em 1968 — 'Com democracia não se brinca', respondeu Paulo Pimenta

Por Giovanna Romano - Atualizado em 26 nov 2019, 09h43 - Publicado em 26 nov 2019, 09h39

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está sendo criticado por ter afirmado a jornalistas que não se assustassem “se alguém pedir o AI-5” por conta de uma radicalização dos protestos no país. Políticos como Jean Wyllys, Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta foram às redes sociais repudiar a declaração.

“É irresponsável chamar alguém para rua agora para fazer quebradeira. Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, afirmou Guedes na noite desta segunda-feira, 26, em resposta aos discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao deixar a prisão.

O líder da bancada do PT na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que “com democracia não se brinca”. “Embora o chefe dele seja fã do ditador Augusto Pinochet, o Paulo Guedes precisa saber que não estamos em 1964 e nem no Chile de 1973. Falar de AI-5 como se isso fosse um fato normal da vida política brasileira é uma ofensa à sociedade”, disse.

“Brasil viveu intensas manifestações de todos os lados nos últimos 40 anos e ninguém falou em AI-5. Agora, exortar o uso da força é recorrente. Antes de tudo, um governo de covardes”, afirmou o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP). O ex-parlamentar pelo PSOL Jean Wyllys afirmou que a “desgraça” foi anunciada desde as eleições de 2018.

O ministro não é o primeiro integrante do governo a mencionar o AI-5 como uma resposta a manifestações contrárias. Há pouco menos de um mês, o deputado federal Eduardo Bolsonaro deu declaração semelhante. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro lamentou a afirmação do filho.

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Decretado em 1968, durante a ditadura militar, o AI-5 fechou o Congresso Nacional e cassou liberdades durante a ditadura, entre outra medidas que suspenderam garantias constitucionais que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura. O ato é o mais duro de todos os Atos Institucionais, considerado o início do período mais duro da ditadura.

Veja as repercussões pelo Twitter:

 

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