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Olavo de Carvalho afirma que Alvim ‘talvez não esteja muito bem da cabeça’

Secretário de Cultura parafraseou fala do nazista Joseph Goebbels e causou indignação até entre bolsonaristas

Por Giovanna Romano - 17 jan 2020, 10h45

As semelhanças entre os discursos do nazista Joseph Goebbels e do secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim, causaram indignação nas redes sociais até mesmo entre apoiadores do governo Bolsonaro. Guru ideológico dos bolsonaristas, Olavo de Carvalho afirmou nesta sexta-feira, 17, que o secretário “talvez não esteja muito bem da cabeça”, referindo-se ao vídeo publicado na quinta.

No discurso, Alvim parafraseia uma fala proferida pelo nazista e registrada no livro Joseph Goebbels: Uma Biografia, do historiador alemão Peter Longerich. A afirmação do nazista foi feita por meio de uma carta em 1933 em que Goebbels sugeria “novas direções” ao teatro. A trilha sonora do vídeo do secretário é uma ópera do compositor favorito de Adolf Hitler, o alemão Richard Wagner.

O cineasta Josias Teófilo, que ficou conhecido pelo filme O Jardim das Aflições, sobre Olavo de Carvalho, pediu para que Alvim fosse afastado da secretaria. “Venho notando há um bom tempo que Roberto Alvim está passando por problemas de ordem pessoal seríssimos. (…) Nada justifica o q ele vem fazendo e fez hoje. Esse vídeo é de fato assustador, mas não é estranho para o que vi”, afirmou.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), também pediu a saída de Alvim. “O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo”, cobrou o parlamentar.

O coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) e vereador em São Paulo, Fernando Holiday, disse que a única diferença entre os dois discursos em questão é a nacionalidade e que o secretário precisa ser demitido “o quanto antes”. “Ou ele está fora de si e precisa ser demitido para que depois seja internado. Ou ele é um nojento admirador do nazismo, além de autoritário, e portanto, precisa ser demitido, pois representa tudo o que a humanidade mais deveria repudiar!”, concluiu.

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Até a publicação desta reportagem, o presidente Jair Bolsonaro não havia se pronunciado sobre a declaração do secretário.

Em sua defesa, o secretário publicou uma mensagem em seu Facebook nesta sexta em que afirma que o vídeo “foi uma coincidência retórica em uma frase sobre nacionalismo em arte”. “Não há nada de errado com a frase, todo o discurso foi baseado num ideal nacionalista para a Arte brasileira, e houve uma coincidência com uma frase de um discurso de Goebbles”, concluiu.

Oposição

O vídeo de Roberto Alvim também foi muito criticado pela oposição ao governo. A deputada federal (PT-DF) repudiou o discurso do secretário: “Não podemos naturalizar o absurdo. Roberto Alvim utilizar estética nazista e discurso de Goebbels é repugnante e inaceitável. Alvim nunca teve dignidade para ocupar o cargo de Secretário de Cultura do Brasil. Seu discurso criminoso e retrógrado não representa o povo brasileiro!”.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) afirmou que “não existe mais vergonha em pareceres fascistas”. “O vídeo de Roberto Alvim deixa isso claro com sua estética autoritária e pelo plágio a Goebbels, ministro da propagando nazista”, disse.

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