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Roberto Alvim parafraseia o nazista Joseph Goebbels em discurso

Secretário de Cultura causou indignação ao reproduzir trecho de fala do ministro da propaganda de Hitler. Após repercussão, alegou 'coincidência retórica'

Por Giovanna Romano 17 jan 2020, 09h47 | Atualizado em 17 jan 2020, 10h14
Roberto Alvim parafraseia o nazista Joseph Goebbels em discurso Priorizar nos meus resultados Google

O secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim, proferiu um discurso na quinta-feira 16 parafraseando uma fala do ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, um dos idealizadores do nazismo. O vídeo, postado no perfil do Twitter da secretaria, causou indignação nas redes sociais.

A trilha sonora da peça é do compositor favorito de Hitler, o alemão Richard Wagner – a ópera usada no discurso é citada no livro Mein Kampf (Minha Luta) pelo nazista.

https://twitter.com/CulturaGovBr/status/1217941233412321286

No discurso, Alvim parafraseia um discurso proferido pelo nazista e registrado no livro Joseph Goebbels: Uma biografia, do historiador alemão Peter Longerich, ao dizer: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada”.

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Durante o nazismo, Goebbels disse a diretores teatrais: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. A fala foi proferida em 1933 por meio de uma carta em que o nazista sugeria “novas direções” ao teatro.

Após repercussão negativa, Alvim alegou que o episódio foi uma “coincidência retórica”.

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Repercussão

O nome de Goebbels e de Alvim entraram na lista de assuntos mais comentados do Twitter nesta sexta-feira, 17. A maior parte das postagens é de críticas sobre a fala do secretário.

O objetivo do vídeo de Alvim era divulgar um concurso nacional de artes intitulado “Prêmio Nacional das Artes” que, segundo o secretário, terá um investimento de vinte milhões de reais.

O guru ideológico Olavo de Carvalho foi às redes sociais em repúdio ao vídeo de Alvim. “É cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça. Veremos”, afirmou. O secretário de Cultura é um dos integrantes olavistas do governo.

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Defesa

Na manhã desta sexta-feira, o secretário se posicionou, afirmando que o vídeo “foi uma coincidência retórica em uma frase sobre nacionalismo em arte”. “Não há nada de errado com a frase, todo o discurso foi baseado num ideal nacionalista para a Arte brasileira, e houve uma coincidência com uma frase de um discurso de Goebbles”, concluiu Alvim, que é dramaturgo, diretor de teatro e ganhou a simpatia de Bolsonaro ao criticar a atriz Fernanda Montenegro.

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