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O partido (nada) republicano: por que Bolsonaro e Alckmin querem seu apoio

Apesar das marcas do fisiologismo e da corrupção, o PR, com um minuto e meio de televisão, é cobiçado na corrida presidencial

Por Thiago Bronzatto 29 jun 2018, 17h42

Recomenda o pragmatismo que quem almeja chegar ao poder ou nele se manter deve buscar o apoio do Partido da República (PR). Sexta maior força na Câmara dos Deputados, com 41 parlamentares, a legenda sempre é cortejada em momentos importantes da política nacional. Nos últimos anos, o partido marchou na trincheira do governo de Lula, prestou apoio ferrenho à presidente Dilma Rousseff, depois atuou pelo impeachment da ex-aliada e logo se uniu com fervor ético a Michel Temer, trabalhando duro pelo arquivamento das duas denúncias criminais contra o atual presidente. Em época de eleição, o PR é particularmente cobiçado pelo um minuto e meio de propaganda diária de que dispõe na TV — tempo considerado suficiente para desequilibrar a disputa em favor de um candidato. Com tanto a oferecer, a legenda vem sendo assediada pelos principais presidenciáveis, como Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) a despeito de sua trajetória errática.

Pela história do PR, sabe-se que apoio político e coligação formal são o resultado de uma equação que nunca é igual a zero. Na campanha de 2002, a legenda cobrou — e levou — 10 milhões de reais para apoiar o PT. Depois, no governo Lula, o PR foi um dos pilares do mensalão, que acabou com a prisão de parlamentares da legenda, incluindo seu então presidente, Valdemar Costa Neto, que foi condenado a pena de sete anos e dez meses de cadeia por corrupção. Costa Neto continua mandachuva do PR. No governo Dilma, sem a atraente vitamina do mensalão, o partido preferiu outro tipo de quitute: nacos do poder. Assim, manteve o controle do Ministério dos Transportes, no qual montou um eficiente propinoduto em que circulavam dinheiro e contratos com empreiteiras e fornecedores. No governo de Temer, o partido mostrou que gostara da experiência e exigiu seguir no comando dos Transportes, administrando um orçamento de 22 bilhões de reais. Conseguiu o que queria.

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