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Novas provas ligam operador de Duque ao Clube do Bilhão

Documentos encontrados pela Polícia Federal na Operação Lava Jato indicam que Mário Góes, ligado ao ex-diretor, recebeu R$ 39,7 mi de empreiteiras

Por Carolina Farina - 28 fev 2015, 12h23

A Polícia Federal recolheu, durante as operações de busca e apreensão realizadas em endereços do lobista Mário Frederico de Mendonça Góes, contratos firmados entre a empresa dele, a Riomarine, e empreiteiras que integravam o Clube do Bilhão – cartel formado para fraudar contratos com a Petrobras e distribuir propina a agentes políticos. De acordo com depoimento do delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras, o lobista era um dos operadores do ex-diretor de Serviços Renato Duque, e o responsável pelo pagamento de propina a mando das seguintes empresas: UTC, MPE, OAS, Mendes Júnior, Andrade Gutierrez, Schain, Carioca Engenharia e Bueno Engenharia.

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Em despacho proferido na última quarta-feira, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, descreve alguns dos documentos encontrados pela Polícia Federal relativos à Riomarine – as buscas foram feitas no âmbito da nona fase da Lava Jato, batizada de MyWay, deflagrada no início deste mês.

Os contratos foram fechados com empreiteiras como a Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, MPE, OAS, Setal e UTC ou consórcios por elas integrados. De acordo com o Ministério Público, os acordos teriam como objetivo habilitar Góes a receber o dinheiro que seria então repassado a funcionários e dirigentes da Petrobras como propina. O esquema é semelhante ao utilizado pelo doleiro Alberto Youssef. Detalhados pelo Ministério Público no processo, os contratos e notas fiscais firmados com seis empreiteiras entre 2006 e 2014 pela Riomarine somam 39,7 milhões de reais.

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Firmados a título de prestação de serviços de consultoria, os documentos não detalham as atribuições de Góes. Um dos acordos firmados com a UTC Engenharia, do empresário Ricardo Pessoa, apontado como chefe do clube das empreiteiras, estabelece o pagamento de 15.000 reais mensais à Riomarine, além de uma remuneração extra em caso de sucesso na obtenção de contrato com a Petrobras, de 0,45% das despesas de capital (capex, na sigla em inglês) referentes à construção da unidade marítima a ser afretada. A lápis, o contrato traz ainda o lembrete de outra taxa extra, de 0,2%, pela obtenção do contrato com a petroleira.

Foram apreendidas também notas fiscais, todas no valor de 124.000 reais, emitidas pela Riomarine em favor do consórcio Mendes Júnior – MPE – Setal. O juiz salienta que na busca e apreensão “não foram apreendidos quaisquer relatórios de consultoria ou assessoria que denotassem o efetivo cumprimento dos objetos dos diversos contratos milionários por tal empresa celebrados”.

Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena), Góes é suspeito de ter feito pagamentos de propina não só na Diretoria de Serviços da Petrobras, mas também na BR Distribuidora. Em depoimentos prestados em acordo de delação premiada, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco admitiu que Góes frequentava sua casa para trazer pagamentos de 300.000 a 400.000 reais em mochilas. Barusco também recebia pagamentos em contas no exterior, cujos extratos bancários foram entregues aos investigadores.

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Barusco e Góes chegaram a comprar dois aviões. O primeiro foi revendido para a compra do último modelo, um Beechcraft King Air B200, adquirido por 1,4 milhão de reais. A aeronave estava registrada em nome da empresa de Góes, Riomarine Óleo e Gás, e foi sequestrada pela Justiça para garantir o ressarcimento dos cofres públicos.

A participação de Góes, preso desde o dia 8, no esquema de corrupção e de outros dez operadores foi descoberta a partir das confissões de Barusco. Mas Góes foi citado também por uma ex-funcionária da Arxo, o que deu aos policiais provas de que o operador estava também esteve envolvido no desvio de recursos da BR Distribuidora.

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