Clique e assine a partir de 9,90/mês

MPF acusa Marcelo Odebrecht de pagar propina no exterior

Em pedido para manter prisões preventivas, procuradores da Lava Jato apontam uso de offshores por presidente da Odebrecht e ex-vice da Braskem

Por Da Redação - 2 jul 2015, 20h40

A força-tarefa da Operação Lava Jato apresentou à Justiça Federal nesta quinta-feira documentos que, segundo os procuradores da República que investigam o esquema de corrupção na Petrobras, reforçam a necessidade de manutenção da prisão preventiva do empresário Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do país, e de Alexandrino Alencar, ex-vice-presidente institucional da Braskem – petroquímica controlada pela Odebrecht em sociedade com a estatal.

Segundo os procuradores, esses documentos indicam a existência de três empresas offshores que teriam sido usadas fora do Brasil para pagamentos de propina: Intercorp Logistic Ltda, Trident Intertrading LTD e Klienfeld Serviçes Ltda.

“[As offshores] eram empregadas por Alexandrino, este seguindo as determinações de Marcelo Odebrecht, para efetuar pagamentos nas contas indicadas por [Alberto] Youssef”, registra a petição subscrita pelos procuradores da Lava Jato. “É inafastável a conclusão de que Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e Marcelo Bahia Odebrecht devem permanecer com a liberdade cerceada, seja porque possuem plenas condições de interferir na prova, seja pelo fato de se constituírem executores direto e mediato destas medidas, portanto possuem pleno conhecimento de todas as circunstâncias que as envolvem, bem como pelo fato de que possuem amplas condições materiais e financeiras para tanto.”

Leia mais:

Continua após a publicidade

Dirceu entra com habeas corpus para não ser preso

Zelada tentou esconder dinheiro da Justiça no exterior

Moro fala em ‘continuidade de crimes’ e bloqueia até R$ 20 mi de Zelada

Na petição ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, os procuradores citam, ainda, outros dois executivos da Odebrecht, Márcio Faria e Rogério Araújo. “Para alcançar seus objetivos criminosos, especialmente para realizar os pagamentos indevidos a agentes públicos corrompidos e, possivelmente, também para acobertar seus lucros, advindos ou não desses contratos obtidos de forma ilícita, resta claro, até o presente momento, que Marcelo Bahia Odebrecht, Alexandrino Alencar, Rogério Araújo e Márcio Faria valeram-se de empresas sediadas fora do território nacional, conhecidas como offshores, algumas delas em paraísos fiscais”, sustenta o Ministério Público Federal.

Continua após a publicidade

Delator – Os dirigentes da Odebrecht foram presos na Erga Omnes – 14ª fase da Lava Jato -, deflagrada no dia 19 de junho. Uma delação premiada, de Rafael Ângulo Lopes, carregador de malas de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, levou os investigadores a essas novas empresas supostamente usadas para pagamentos de propinas. O delator informou como o Youssef entregava dados de contas e recebia os comprovantes de depósitos no exterior feitos pela Odebrecht e pela Braskem, por meio de Alencar. “Em relação a estas transferências de valores no exterior, Youssef levava número de contas situadas no exterior para Alexandrino e este último providenciava o depósito dos valores nas contas indicadas. Com certeza, era um acerto de contrato de propina e de transferências de dinheiro no exterior”, afirmou Lopes. Ele entregou documentos que seriam prova desses repasses.

Foi através desses documentos que a força-tarefa passou a trilhar um dos supostos caminhos do dinheiro. “[O delator] entregou pessoalmente tais números de contas para Alexandrino, na própria Braskem. Após a transferência dos valores no exterior também ia buscar os comprovantes das transferências internacionais (swifts).”

No pedido desta quinta-feira, o Ministério Público Federal informou: “Assim, os valores eram transferidos de contas mantidas em nome de empresas offshores para as contas mantidas pelos servidores da Petrobras, entre eles Renato Duque e os colaboradores Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco [ex-dirigentes]”.

Segundo o delator, “era Alexandrino quem entregava pessoalmente estes swifts“. “Em geral era a própria Braskem que fazia tais transferências internacionais, pois isto consta de alguns dos swifts“, detalhou Lopes. O delator diz ter levado “pessoalmente” número de contas “no exterior para Alexandrino, que era conhecido entre eles como ‘Barba'”.

Continua após a publicidade

“Alexandrino enquanto diretor da Odebrecht, sob as ordens de seu presidente, Marcelo Odebrecht, reunia-se com Alberto Youssef e José Janene [ex-deputado mentor do esquema Lava Jato, morto em 2010] para negociar o pagamento de propina dirigida ao grupo político que se beneficiava dos contratos firmados com a Petrobras, sendo que efetuava depósitos nas contas indicadas por Youssef e informadas por Rafael Ângulo.”

US$ 160 mil – Para a força-tarefa da Lava Jato, há elementos de que “as três offshores se constituem de um dos instrumentos utilizados pela Odebrecht, por meio de seus dirigentes, para fazer chegar a propina aos servidores corrompidos da Petrobras”. Um dos exemplos citados no documento é o recebimento pelo ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, de transferência da offshore Klienfeld no valor de 160.000 dólares.

Para o MPF, diante dos fatos “verifica-se que há prova robusta de que os investigados Marcelo Odebrecht, Alexandrino Alencar, Rogério Araújo e Márcio Faria, sobretudo os dois primeiros, efetivamente se utilizaram de contas bancárias sediadas no exterior para realizar pagamentos a ex-empregados na Petrobras, possivelmente em várias transações comerciais que realizaram com aquela estatal, o que não só reforça a conclusão a respeito de sua participação nos fatos, como justifica ainda mais a necessidade de que permaneçam segregados.”

A Construtora Norberto Odebrecht nega as acusações. A Braskem disse que não tem conhecimento de reuniões em seu escritório para pagamentos desta natureza.

Continua após a publicidade

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade