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Militares nas ruas: ‘O ideal é evitar o pânico e o medo excessivo’

Porta-voz da Operação Covid-19, do Ministério da Defesa, diz que a atuação das Forças Armadas visa passar tranquilidade para a população em meio à pandemia

Por Marcela Mattos - 6 abr 2020, 14h49

Reportagem de VEJA desta semana mostra que as tropas militares já se preparam para um cenário extremo provocado pela crise do coronavírus. Nele, o desemprego e o aumento da pobreza levariam a reações do que se chama de indisciplina social, com saques e atos violentos sendo realizados em consequência do desespero. É o que mais se quer evitar. Enquanto surgem vozes tresloucadas pedindo uma ação militar para permitir a reabertura dos comércios, o posicionamento das Forças Armadas é o de fugir de qualquer ação política ou do uso da força. As providências, ao menos por enquanto, visam tentar conter a transmissão da doença. Já há mais de 20.000 homens trabalhando em uma força-tarefa criada pelo Ministério da Defesa.

O esforço é principalmente atuar na descontaminação de ambientes públicos e de hospitais.  “A gente está usando a capacidade de proteção biológica, por isso que tem aparecido bastante. E aí entra um aspecto muito importante, que é a questão da tranquilidade da população. Quando a gente fala em peste, em praga, há um efeito muito forte de causar medo e ansiedade. O papel das Forças Armadas é causar tranquilidade, porque o pânico não ajuda em nada. E é por isso que a nossa presença é importante”, afirmou a VEJA o almirante Carlos Chagas, porta-voz da Operação Covid-19 e assessor especial do ministro Fernando Azevedo e Silva. “O ideal é evitar o pânico e o medo excessivo”, adiciona.

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As camadas mais vulneráveis, as primeiras que poderiam ser afetadas com a crise financeira provocada pela pandemia, despertam preocupação especial. Medidas para garantir a chegada de comida a setores mais carentes estão sendo estudadas pelo governo. Ainda não há definição de como funcionaria o programa de socorro alimentício.

Enquanto isso, um outro problema apontado é que as equipes militares especializadas para agir em operações de descontaminação são limitadas – elas foram preparadas para entrar em campo em eventos pontuais, e não numa situação de epidemia em que as demandas tornam-se crescentes a cada dia. Por isso, a operação está se encarregando também de dar aulas dentro e fora das forças – como para policiais e bombeiros –, de modo a aumentar o efetivo capacitado.

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Outra preocupação refere-se à saúde dos combatentes. Até a última quarta-feira, o Ministério da Defesa informava que 62 homens já tinham sido diagnosticados com a Covid-19. Quarteis e escolas de formação estão controlando a saída dos militares para diminuir o risco de contaminação.

“A prioridade das Forças Armadas tem de ser apoiar e defender a população. Para isso, ela tem de manter a sua capacidade de emprego. Nesse momento, as forças acabam sendo um serviço essencial e, portanto, não podem parar. As escolas estão mantendo suas atividades com todo o cuidado justamente para manter a nossa capacidade de combate”, afirmou o almirante Carlos Chagas. “Estamos preparados para sermos empregados cada vez mais”, diz.

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