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Michelle, a estrela evangélica da campanha de Bolsonaro

Mulheres são mais da metade do eleitorado e pesquisas mostram que elas rejeitam o presidente

Por Letícia Casado Atualizado em 16 Maio 2022, 17h50 - Publicado em 16 Maio 2022, 15h38

Desde que assumiu a coordenação da campanha de Jair Bolsonaro (PL), o centrão definiu que o presidente precisa ter maior interlocução com o público feminino, em especial as evangélicas. E os caciques partidários e o presidente entenderam que a primeira-dama Michelle Bolsonaro pode ser útil para fazer essa ponte. As mulheres representam mais da metade do eleitorado.

A ideia é que Michelle esteja presente na propaganda eleitoral e em ações da campanha para defender programas sociais do governo e em favor de pessoas portadoras de deficiência. É uma participação diferente e mais ativa do que na eleição de 2018, quando Michelle não teve papel de destaque. Naquele ano, ela se limitou a introduzir a tradução de linguagem em libras nos pronunciamentos de Bolsonaro e a fazer eventos pontuais relacionados a mulheres. Quando visitava o comitê de campanha, levava um tradutor, escolhido por ela, e não opinava sobre o conteúdo das mensagens.

Mas, ao longo do último ano, com a queda de popularidade do presidente, o protagonismo de Michelle aumentou. Ela passou a personificar a evangélica mãe de família, voltada à militância religiosa, à defesa dos direitos de portadores de deficiência e a causas sociais. Nos bastidores, mostrou força na articulação para a nomeação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal — imbróglio que se arrastou por mais de quatro meses por causa da demora de sua sabatina. Ela acompanhou a votação dos senadores em um gabinete e não permitiu o acesso da imprensa; depois, circulou um vídeo no qual ela comemora fazendo orações.

Michelle já discursou na mensagem de rádio e TV no Natal ao lado do marido. Em março, foi convocada a falar no evento de lançamento da candidatura de Bolsonaro, quando, ovacionada pelo público, fez um discurso de um minuto em tom religioso. No início de maio, participou de um culto na Câmara dos Deputados. No Dia das Mães, Michelle mesclou menções a mulheres com programas do governo e agradeceu a Deus. Depois do pronunciamento, a plataforma de programas do governo registrou picos de acesso na internet, o que deve fazer com que o governo use mais sua imagem.

“A primeira-dama representa hoje o que a Bíblia diz em provérbios sobre a mulher virtuosa. É quem está edificando a casa, que dobra o joelho, que ora e que está nos cultos. Ela não faz uma encenação. É a Michelle, primeira-dama, cristã. E faz isso com amor e temor a Deus”, diz o deputado Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR).

Pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta (11) mostrou estabilidade na intenção de votos em relação a abril: Lula com 46% e Bolsonaro com 31%. Lula ganhou mais apoio entre as mulheres: alta de 3 pontos, para 50%, enquanto apenas 24% disseram votar em Bolsonaro, que desde fevereiro cresce entre os homens. Felipe Nunes, diretor do instituto, identifica a dificuldade de Bolsonaro com mulheres evangélicas nos levantamentos que tem feito. “Esse é um dos temas mais importantes da eleição. Em 2018, a maior resistência que Bolsonaro tinha era entre as mulheres”, diz. Segundo ele, as pesquisas qualitativas apontam que mulheres associam Bolsonaro a um “jeito mais tosco, grosseiro”, que nunca foi simpático ao grupo.

Coordenador da campanha do pai, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diz que parte dos eleitores acaba acreditando que o presidente tem preconceitos, que não trabalha pelas mulheres e que é preciso agregar “a simpatia de um porcentual do eleitorado que não tenhamos”. “Conheço Bolsonaro e sei que as coisas que acusam ele são mentiras, mas uma parte dos eleitores acaba acreditando”, afirma.

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