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Marina diz que é ‘tarde demais’ para mudar equipe econômica

Durante evento de campanha, a candidata do PSB voltou falar que, se eleita, sua equipe terá o compromisso de recuperar o crescimento da economia e de controlar a inflação

Por Talita Fernandes 5 set 2014, 19h18

A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, respondeu à sinalização feita pela presidente Dilma Rousseff, de que faria mudanças em sua equipe econômica caso seja reeleita, dizendo que é “tarde demais”. “Hoje a presidente Dilma sinaliza que ela vai mudar sua equipe econômica, mas talvez seja tarde o que ela está fazendo. A sociedade brasileira é que vai mudá-la e. A equipe econômica será outra: uma equipe econômica que tem compromisso com a meta de inflação, que tem compromisso com os juros baixos, recuperação da credibilidade para que haja investimento e nosso país volte a crescer”, disse.

O discurso da presidente foi visto como uma indicação clara da substituição do titular do Ministério da Fazenda, posto ocupado há mais de oito anos por Guido Mantega.

Durante agenda de campanha em Guarulhos, Marina concentrou sua fala nas respostas às críticas feitas por seus adversários e pediu que a população a ajude a fazer uma campanha limpa. “Nós estamos sofrendo ataques de nossos adversários de forma injusta, nós vamos responder sempre com a verdade, apresentando o nosso programa e as nossas propostas e contando com a mobilização da sociedade brasileira”, disse.

Nos últimos dias, PT e PSDB subiram o tom contra Marina, apontando plágio no programa de governo da candidata. O adversário tucano, Aécio Neves, disse que Marina copiou trechos inteiros do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) do governo de Fernando Henrique Cardoso. Na quinta-feira, o site Muda Mais, da campanha de Dilma, compara parágrafos do texto com um artigo publicado na edição de número 89 da revista da USP de autoria do físico Luiz Davidovich, mostrando que os textos são praticamente idênticos.

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A candidata respondeu também aos ataques que vem sendo alvo em relação ao pré-sal. O PT tem usado trechos do programa de governo para dizer que Marina deixaria a exploração de lado para defender energia de fontes renováveis. Além disso, nos bastidores, a campanha da petista deve organizar uma caminhada para exaltar o pré-sal no Rio de Janeiro, um dos principais Estados produtores. “Uma série de mentiras estão sendo lançadas no Rio de Janeiro. Nosso compromisso com a exploração do pré-sal é sem prejuízo dos Estados produtores em relação aos royalties. É de que a exploração do petróleo possa beneficiar a educação brasileira. Os 10% (do PIB destinados à educação) que serão destinados virão da exploração do petróleo e nós queremos que esses recursos possam ser utilizados para fazer a escola de tempo integral”, respondeu.

Comitê voluntário – Marina participou nesta sexta-feira da inauguração de um comitê voluntário, agora rebatizado de Casa de Beto e Marina, em Guarulhos, na Grande São Paulo. As casas são uma reedição dos comitês lançados em 2010, quando Marina disputou o Palácio do Planalto pelo Partido Verde (PV).

Após o constrangimento que a equipe da campanha passou no fim de julho, quando um voluntário disse que esperava receber “unzinho” para sediar o comitê, desta vez, a voluntária apressou-se em dizer que a iniciativa foi dela.”Estou fazendo isso pelos meus filhos”, disse a cabeleireira Cleide Alves da Silva, de 34 anos. A cabeleireira divide a casa com o marido os filhos Otávio, de 13 anos, e Leandro, de 7 anos, portador de Síndrome de Down. Cleide disse ter votado em Dilma em 2010, mas disse que a decisão de votar em Marina vem desde quando Eduardo Campos era o candidato. Como justificativa para deixar de votar no PT, a cabeleireira disse estar “cansada da mesmice”. “Admiro Marina como mulher e como pessoal. Ela realmente é diferente, é uma pessoa muito humilde, que veio de baixo”, disse.

Cleide e seu marido, Rogério, vivem em um sobrado no bairro Jardim São Manuel, na periferia de Guarulhos. Após a morte de Eduardo Campos, as casas foram rebatizadas de “Casa de Beto e Marina”. De acordo com Pedro Ivo, coordenador de mobilização da campanha, o nome do vice – Beto Albuquerque – foi colocado antes do de Marina para ficar mais “sonoro”. Em frente à casa, uma série de vizinhos receberam Marina com gritos, aplausos e pedidos de fotos e de autógrafos.

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