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Lula levou o PT ao isolamento político

Em Recife, disputa entre o PT e o PSB, incentivada pelo ex-presidente, deve provocar um racha definitivo entre os dois partidos

Por Nonato Viegas 22 nov 2020, 15h53

Ainda que a petista Marília Arraes seja eleita à prefeitura de Recife no próximo domingo, conforme indicam as pesquisas, o PT pode terminar como derrotado. Segundo lideranças do partido, o sucesso de Marília Arraes sobre o João Campos, do PSB, encerrará qualquer possibilidade de PT e PSB  voltarem a se unir, especialmente na eleição presidencial de 2022.  O PT já não conta com o PDT de Ciro Gomes, e mesmo o seu velho escudeiro PCdoB tende a ficar do lado do PSB, de quem é aliado em Pernambuco, onde sua presidente Luciana Santos é vice-governadora. O isolamento deve ser em nível nacional.

  • “O próprio PT fez de tudo para jogar o resto da esquerda para uma eventual aliança com Ciro Gomes em 2022. Lula não engoliu a neutralidade do PSB em 2018. Ele achava que o partido tinha que aderir à campanha do Fernando Haddad. Mas a legenda fez o que pode, porque estava dividida. E o PSB só se declarou neutro por força da seção de Pernambuco, que hoje é atacado pelo PT. Não fosse por Pernambuco, o PSB teria indicado o vice de Ciro”, lembra um parlamentar petista que pede para não ser identificado.

    Carlos Siqueira, presidente do PSB, vai na mesma linha. “A esquerda não se uniu este ano porque o PT, sempre querendo ser hegemônico, não quis compor. A responsabilidade é deles. Agora vamos avaliar direito o resultado das urnas para poder começar a pensar em 2022″, afirma. PSB e PDT se uniram nas capitais e nas grandes cidades nas eleições municipais. Separadamente, ambos os partidos ficaram, no primeiro turno, à frente do PT em número de prefeituras, conquistando respectivamente, 311 e 250 cidades – em grande parte delas um tinha ao outro como vice.

    O senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, e defensor da permanência da aliança entre os partidos, alertou o ex-presidente Lula num encontro em março em São Paulo para o risco de a candidatura própria em Recife implodir – como está implodindo – as relações do PT com o restante da esquerda.

    De acordo com o parlamentar, a candidatura da deputada tinha mais a ver com o projeto pessoal dela de humilhar o PSB, partido do qual teve de sair por se sentir preterida por Eduardo Campos, de quem era prima de primeiro grau, do que com alguma ambição para comandar a cidade. Lula deu de ombros. Recentemente, o ex-presidente dobrou a aposta, prometendo ir pessoalmente a Recife para comemorar a vitória de Marília.

    Ciro e Marina Silva, da Rede, que também guardam mágoa do PT, embarcaram na campanha de João Campos. Dentro e fora do PT atribuiu-se como equivocada a estratégia do PT de lançar candidatura em todas as capitais em vez de se unir a outras legendas de esquerda.  No primeiro turno, a taxa de sucesso foi de 15%.

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