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Lobista preso pagou propina mesmo após a Lava Jato

Milton Pascowich, ligado a José Dirceu, usava uma empresa de fachada para repassar propina ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque

Por Laryssa Borges 21 Maio 2015, 12h42

O empresário Milton Pascowich, preso na 13ª fase da Operação Lava Jato, enviou dinheiro para o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque mesmo após o início das investigações do petrolão no ano passado. O pagamento de propina foi camuflado como prestação de serviços entre as empresas Jamp, de Pascowich, e D3TM, de Duque. Houve também a compra de obras de arte, a preços que chegaram a 400.000 reais, como complemento ao pagamento de propina ao ex-diretor da estatal.

Ligado ao ex-ministro mensaleiro José Dirceu, Pascowich já era investigado pelo Ministério Público por indícios de que a empresa de fachada Jamp era usada para lavar dinheiro do escândalo do petrolão.

Na 11ª fase da Lava Jato, os investigadores chegaram a pedir a prisão de Pascowich, mas o juiz Sergio Moro negou por avaliar, na época, que os indícios de participação do operador estavam baseados principalmente na delação do ex-gerente de Serviços Pedro Barusco.

Desta vez, no entanto, foi possível mapear que Milton Pascowich continuava praticando os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. “A Jamp prestava serviços para a Engevix, um serviço de monitoramento. Milton alegava que prestava serviços genéricos para a D3TM [de Renato Duque] e realmente não existe prestação de serviços”, disse o procurador Carlos Fernando Lima, da força tarefa do Ministério Público. “Temos a reiteração criminosa e não temos duvida de que isso será objeto de uma ação penal próxima. Temos claramente a ideia de que vai ser feita uma denúncia sobre os fatos. Houve reiteração de corrupção ativa mesmo depois da Lava Jato”, completou ele.

Renato Duque, que está preso em Curitiba, guardava o dinheiro de propina no exterior. Nas contas da D3TM Consultoria e Participações, foram encontrados cerca de 140.000 reais. Os maiores valores, porém, foram detectados nas contas da Hawk Eyes Administração de Bens (6,5 milhões de reais) e da Technis Planejamento e Gestão em Negócios (2 milhões de reais).

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Dirceu – Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o vice-presidente da Engevix Gerson Almada havia relatado que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu fazia “lobby internacional” em nome da empreiteira e que Milton Pascowitch atuava como mediador das “relações partidárias” da empresa. A Engevix pagou mais de 1 milhão de reais à JD Consultoria. De acordo com Almada, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso na fase anterior da Operação Lava Jato, e o próprio Pascowitch pediram que a empresa fizesse doações a petistas.

Como Milton Pascowich é ligado ao ex-ministro José Dirceu, o Ministério Público e a Polícia Federal continuam investigando a atuação do petista no escândalo do petrolão. “Existe este fato, das consultorias supostamente prestadas, que está sob investigação de Dirceu. Gerson Almada confirma que contratou o Pascowich para fazer lobby na diretoria de Serviços da Petrobras e perante a diretoria de Serviços e o PT”, disse o procurador Carlos Fernando Lima. “O que eles chamam de lobby a gente chama de corrupção”, resumiu hoje o procurador Carlos Fernando. ​completou o representante do MP.

Ao cumprir mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira, policiais federais encontraram 60 obras de arte, sendo 40 na casa do irmão de Pascowich, José Adolfo. Ele prestou depoimento e foi liberado. Foram apreendidos três carros de Milton Pascowich – um Audi, uma Land Rover Evoque e uma BMW.

O operador Henry Hoyer, cistado como sucessor do doleiro Alberto Youssef no esquema de propina do PP na Petrobras, prestou esclarecimentos aos policiais nesta quinta-feira, mas acabou preso porque a Polícia Federal encontrou na casa dele três armas sem registro e munição de uso restrito.

Hoyer é peça-chave na nova fase da Operação Lava Jato porque é mais um personagem ligado a políticos que podem ter sido beneficiados pelo propinoduto na Petrobras. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão em dois imóveis. Para garantir que não houvesse questionamentos sobre esta fase das investigações, nem o MP nem a Polícia Federal utilizaram como embasamento para o mandado o fato de o operador ser apontado como titular de contas bancárias no HSBC da Suíça, alvo do escândalo conhecido como Swissleaks. “Não descartamos nenhuma das hipóteses de que ele tenha ou não contas no exterior. Mas não usamos nesse momento nenhum dado do HSBC para evitar questionamentos sobre legalidade das investigações”, disse o procurador.

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