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Lava Jato: Youssef pede prisão de ex-sócio

Apontado como laranja no laboratório Labogen, Leonardo Meirelles acusou o doleiro de esconder da Justiça o real valor de seu patrimônio

Depois de ser acusado pelo ex-sócio Leonardo Meirelles de esconder patrimônio em seu acordo de delação premiada, o doleiro Alberto Youssef abriu um novo round na briga judicial entre os dois, escancarada com a discussão dos advogados de ambos durante audiência com o juiz responsável Sérgio Moro. A defesa de Youssef protocolou na Justiça Federal nesta quarta-feira um documento no qual sugere a prisão preventiva de Meirelles por tentativa de tumultuar o processo. Os advogados do doleiro acusam Meirelles de atacar o acordo de delação premiada e o Supremo Tribunal Federal (STF) “na vã tentativa de desacreditar autoridades e também o colaborador, criando um ambiente de descrédito”.

O ex-sócio de Youssef no laboratório Labogen disse, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que o doleiro tem patrimônio estimado em mais de 150 milhões de reais em vez dos 50 milhões de reais que ele declarou para fechar o acordo homologado pelo Supremo. Se a omissão for comprovada, Youssef pode ver seu acordo com a Justiça cair por terra – e com ele os benefícios de redução da pena.

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“A divulgação estrepitosa de mentiras pela imprensa visando atacar um acordo de colaboração processual é fato gravíssimo, que atenta contra a ordem processual, um dos motivos elencados no artigo 312 do CPP [Código de Processo Penal], que fundamentam a prisão preventiva, máxime quando se tem em mente que Meirelles acusa, sem provar”, argumentou a defesa de Youssef.

Ao site de VEJA, Meirelles disse nesta terça que a defesa de Youssef “está entrando em desespero, porque ele não falou a verdade por completo” e que Basto “tenta desviar o foco”.

O advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto também formula um pedido de investigação contra Meirelles, que para ele está sendo manipulado por “mentores intelectuais”. “Quem é o dono de Meirelles? A quem ele serve? Se tem realmente as provas da omissão de patrimônio que as mostre, se tem provas de má-fé de Alberto Youssef que entregue ao MPF. Mas seu próprio advogado já disse: ‘Não tem provas referentes à acusação'”, escreveu.

O criminalista também reclama que Meirelles confessou crimes, mas não foi denunciado pelo Ministério Público Federal. Ele cobra dos procuradores que o antigo sócio do doleiro seja denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica, além de, se couber, denunciação caluniosa. Na análise de Basto, Meirelles “está sendo contemplado com benefícios de ordem processual e penal, obtendo o beneplácito de depor somente sobre o que interessa à acusação e silenciar quando lhe convém”. Ele indica que o acusador teria uma espécie de “acordo branco” com as autoridades.

“O sr. Leonardo Meirelles figura ora como réu, ora como testemunha nas ações penais da Operação Lava Jato, sedizente colaborador informal da Polícia Federal, orbita ao redor das autoridades, sem que se esclareça qual sua postura e principalmente os benefícios advindos dessa conduta, age como príncipe dinamarquês entre o ‘ser e o não ser'”, escreveu Basto. “Meirelles é um criminoso confesso, mentiroso contumaz! Uma figura que goza de privilégios e age nas sombras, sem que a defesa de Youssef possa questionar seu posicionamento.”