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Investigação da Polícia Federal mira Paulo Skaf

Relatório do Coaf aponta transações financeiras suspeitas envolvendo o presidente da Fiesp

Por Thiago Bronzatto - Atualizado em 15 abr 2020, 09h39 - Publicado em 15 abr 2020, 09h14

A aliança entre Jair Bolsonaro e Paulo Skaf tem rendido dividendos para ambos. O presidente, com a ajuda de Skaf, tem consolidado o apoio de empresários importantes ao seu governo. Já o dirigente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tenta ampliar o seu capital político no rastro da ainda considerável popularidade do presidente. Tanto para um como para outro o objetivo é o mesmo: aumentar a musculatura de olho nas próximas eleições. Essa simbiose, porém, pode sofrer um abalo.

Documentos obtidos por VEJA revelam que o presidente da Fiesp está na mira de uma investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O inquérito foi instaurado em São Paulo a partir de um relatório de inteligência produzido pelo Coaf, órgão de combate à corrupção e lavagem de dinheiro, que identificou transações financeiras suspeitas realizadas pelo Sesi-SP e Senai-SP, comandados por Skaf. Esse levantamento, compartilhado com os investigadores, aponta que foram desviados recursos dessas duas instituições para fornecedores da campanha do empresário ao governo de São Paulo em 2014.

Com base nessas informações, a Polícia Federal iniciou a apuração.  Os investigadores obtiveram, com autorização judicial, acesso à quebra de sigilos bancário e fiscal de oito pessoas. O inquérito, instaurado em 2017, tem andado a passos curtos, porque algumas instituições financeiras enviaram informações incompletas das contas correntes dos suspeitos. Ainda não há uma previsão para um desfecho do caso, mas os desdobramentos das apurações ameaçam o projeto político de Skaf em São Paulo. 

Filiado ao MDB, o presidente da Fiesp concorreu ao governo de São Paulo em 2010, 2014 e 2018, mas nunca passou para o segundo turno. Para evitar uma nova derrota política, Skaf se aproximou de Bolsonaro para tentar absorver a popularidade do ex-capitão. A relação entre os dois teve início em meados de 2016. Naquela época, o então deputado federal do Rio de Janeiro subiu na tribuna da Câmara para defender o empresário paulista, que foi atacado por parlamentares de esquerda irritados com o apoio da federação paulista ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Skaf ligou para agradecer a Bolsonaro pelo gesto.

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Quando o deputado se tornou presidente, o dirigente da Fiesp decidiu construir uma ponte com Bolsonaro. Os dois passaram a se reunir com frequência em eventos oficiais e, de um tempo para cá, estreitaram os laços. A distância entre o presidente e o governador de São Paulo, João Dória, abriu espaço para a aproximação entre Skaf e Bolsonaro — que participaram juntos de uma missão empresarial na China. Essa relação não é bem vista pelos membros do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente tenta tirar do papel.  Nos bastidores, aliados resistem á possibilidade do presidente da Fiesp assumir o diretório da legenda na capital paulista.

Um dos principais motivos de rejeição dos bolsonaristas a Skaf é o fato de o presidente da Fiesp ter sido fisgado pela Operação Lava-Jato. As investigações mostraram  que a campanha de 2014 do empresário recebeu 6 milhões de reais em caixa dois da construtora Odebrecht. Esses recursos foram repassados a partir de um acerto entre o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o então vice-presidente Michel Temer, que comandava o MDB, partido ao qual Skaf ainda é filiado.

Procurado, Skaf disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não tem qualquer informação sobre a investigação da PF. A respeito das acusações de caixa dois em sua campanha em 2014, ele afirma que as doações estão “devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo de mérito”.

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