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‘É pura maldade imaginar que Paludo recebia para garantir proteção’

'O combate à corrupção deve, necessariamente, estar norteado pela igualdade, transparência e garantias', diz o advogado Roberto Podval

Por Roberto Podval - Atualizado em 20 dez 2019, 18h55 - Publicado em 20 dez 2019, 18h41

Trabalho em Curitiba desde os tempos do Banestado.

Ali conheci o então juiz Sergio Moro que sempre me tratou com absoluto respeito, apesar de nossas visões de mundo antagônicas. Sempre que pedi fui por ele recebido, ouvido e muitas vezes atendido.

Verdade que não tinha seu WhatsApp, mas fica aqui por absoluta honestidade pessoal tal registro. Isso obviamente não quer dizer que concorde com suas posições, seus métodos ou mesmo sua ideologia, mas até aí, muito provavelmente ele também não concorde com as minhas.

De qualquer forma, este, na verdade, não é o assunto que procuro abordar.

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Como advogado criminalista já com alguma idade e muitas andanças, vivi e assisti de tudo.

Em meu caminhar me deparei com pessoas vendendo de tudo: vantagens inimagináveis, tais como liminares impossíveis outras prováveis, solturas, decisões em todos os sentidos e proteção de toda espécie.

Não me considero puritano ou ingênuo, mas posso assegurar que em quase 100% dos casos tudo isso não passa de invencionice. Golpistas utilizando-se do desespero alheio para vender facilidades.

Magistrados, procuradores, promotores , delegados e até mesmo advogados são “vendidos” e facilmente podem ser ver colocados em situações completamente injustas e vexatórias.

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Para aquele que tem família, moral e honradez, por mais que se saiba inocente, essas acusações infundadas, notícias falsas ou a simples dúvida publicizada tem o peso de uma condenação. Não sou amigo de Paludo, adversário, mas como militante de todas as forças tarefas implantadas neste país, principalmente em Curitiba, posso garantir que há “mão de gato” nessa história.

Imaginar que o procurador Januário Paludo recebia quantia para garantir proteção a alguém, mais que ingenuidade, é pura maldade.

Posso não gostar da forma como atuam os procuradores, mas não tenho o direito de cometer o mesmo erro que tantas vezes eles próprios cometeram, não posso pré-julgar, não me vejo no direito de acusá-lo. Minhas bandeiras libertárias valem não só para os meus, mas para todos, do contrário de nada servem.

E que este triste episódio sirva de aprendizado para todos nós. O combate à corrupção deve, necessariamente, estar norteado pela igualdade, transparência e garantias. Se não for assim o remédio causará pior mal que a própria doença.

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Roberto Podval é advogado criminalista.

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