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Hackers exibiram mensagens roubadas de filhos de Bolsonaro

Invasores utilizavam celular clandestino para vazar conversas privadas

Na semana passada, VEJA revelou que um dos hackers que invadiram os celulares de autoridades da República e integrantes da Operação Lava-Jato fechou um acordo de delação com a Polícia Federal. Além de identificar outras pessoas que participaram dos ataques virtuais, o colaborador apresentou um aparelho telefônico clandestino utilizado para roubar e vazar mensagens. O material está sendo periciado pela Polícia Federal. O objetivo é esclarecer se alguém financiou o esquema criminoso que afetou mais de 80 figuras públicas.

Na lista de vítimas dos hackers está a família Bolsonaro. Os invasores tentaram roubar mensagens de dois celulares do presidente da República, mas não tiveram sucesso. No entanto, há indícios de que os criminosos conseguiram acessar a conta do aplicativo de mensagens Telegram do deputado federal Eduardo Bolsonaro, o “Zero Três”, e do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, o “Zero Dois”.

Numa conversa com a ex-deputada Manuela D’Ávila, o hacker Walter Delgatti exibiu imagens de um aparelho telefônico com a conta do Telegram de Eduardo. “Depois analisa isso”, escreveu o invasor para a ex-parlamentar, responsável por intermediar o vazamento de mensagens da Lava-Jato para o jornalista americano Glenn Greenwald, editor do site The Intercept Brasil. Na sequência, Delgatti enviou outra foto com uma mensagem de uma militante bolsonarista falando sobre a TV Escola, canal de comunicação financiado pelo ministério da Educação.

 (Operação Spoofing/Reprodução)

“Tem o Carlos também”, escreveu o hacker. Para mostrar que não estava blefando, o invasor enviou uma foto de uma mensagem que teria sido enviada em outubro do ano passado por uma blogueira bolsonarista ao “Zero Dois”. “Essa mulher que ajudou no spam de WhatsApp na campanha”, disse Delgatti para Manuela D’Ávila.

 (Operação Spoofing/Reprodução)

O celular utilizado pelos hackers para realizar os ataques e fazer os vazamentos das mensagens roubadas tinha o apelido de “biriri” e uma conta falsa no Telegram chamada “Brazil Baronil”. O aparelho ficava com o estudante Luiz Molição, que fechou um acordo com a Polícia Federal e agia em parceria com Delgatti. Preocupado em ser interceptado pela Polícia Federal, o grupo costumava cobrir as câmeras do telefone com uma fita adesiva. Pouco tempo depois de terem mandado as imagens acima, os criminosos foram presos.