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Fred Wassef: “Querem me transformar no maior bandido do Brasil”

Ex-advogado de Flávio Bolsonaro diz que está sendo alvo de denúncias por conta de um complô e cita os nomes de Roberto Podval, Wilson Witzel e José Dirceu

Por Redação - Atualizado em 18 set 2020, 11h53 - Publicado em 17 set 2020, 10h08

O advogado Frederick Wassef deixou a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) depois que o ex-PM Fabrício Queiroz foi encontrado no mês de junho em seu escritório em Atibaia, no interior de São Paulo. A partir desse episódio, Wassef virou presença constante no noticiário político e policial. A Procuradoria Geral da República investiga pagamentos de 9,8 milhões de reais feitos pela J&B ao advogado entre 2015 e 2020. Nos últimos dias, a PGR começou a apurar também a relação do advogado e a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, em Campinas (SP). O aeroporto mantém contrato com o governo federal. Um advogado acionou o Ministério Público Federal (MPF) ressaltando que Wassef teria contratos para “prestar consultorias jurídicas e estratégicas com Viracopos, no valor de 5 milhões de reais, mesmo sem experiência na área de infraestrutura ou regulação”. Outro caso recente envolvendo seu nome foi o da delação do ex-presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro, Orlando Diniz, que o citou como beneficiário de pagamentos de 2,7 milhões de reais. Na entrevista a seguir concedida a VEJA, Wassef se defende dessas acusações e se diz vítima de um complô. “Querem transformar o Fred no maior bandido do Brasil”, indigna-se. De acordo com ele, a trama para prejudicá-lo a fim de atingir a família Bolsonaro envolveria nomes como os de Roberto Podval, um dos criminalistas mais conhecidos do país, o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e o petista José Dirceu, entre outras pessoas:

Como explicar essa sucessão de denúncias contra o senhor? Esses contínuos eventos não são coincidência ou uma maré de má sorte. É um trabalho elaborado por pessoas que é coordenado e dirigido com personagens por trás dos bastidores, com objetivo de me desqualificar, atingir a minha reputação, tentar me incriminar com o objetivo final de atingir também o presidente da República.

Por que recebeu 2,7 milhões de reais do escritório da advogada Luiza Eluf, que havia sido contratado para prestar serviços à Fecomércio? O senhor prestou serviços para a entidade? Eu nunca fui contratado pela Fecomércio. Nunca negociei com pessoas da Fecomércio. Por uma questão de sigilo profissional e até sigilo de toda e qualquer natureza, eu tenho um impedimento legal e não posso falar sobre nenhum cliente ou dados. Eu posso falar sobre o básico. Qual é minha situação em relação à Fecomércio? Nenhuma. Não assinei contrato com essa instituição e jamais recebi dinheiro dessa instituição nem tive nenhuma relação comercial com essa instituição. O meu escritório foi contratado por um escritório de advocacia renomado de São Paulo, cuja dona é uma famosa e conhecida procuradora do estado de São Paulo (nota da redação: Luiza Nagif Eluf), cuja trajetória mostra que passou toda a sua vida no combate ao crime. O que existiu foi uma relação privada, entre duas instituições privadas, dois escritórios de advocacia, com dinheiro privado. Eu apenas fui contratado por um escritório para prestar serviços advocatícios.

O senhor consegue provar ou tem documentados os serviços prestados para o caso de ser inquirido pela Receita Federal? Sempre, sempre. Sempre prestei serviços advocatícios. Serviços foram prestados. Tudo está declarado na Receita Federal. Os impostos foram pagos na totalidade, portanto, não existe absolutamente nada. Isso é uma tentativa da criminalização da advocatícia de forma geral, não falo só em relação a mim. Fui contratado por um escritório de advocacia para prestação de serviços, portanto, não posso dar mais nenhuma informação por questões de sigilo. É uma farsa, uma montagem, que exista qualquer relação entre meu escritório e a Fecomércio. Não tenha nada a ver com qualquer esquema ou prática irregular que tenha acontecido na Fecomércio. Nada justificaria as ações que sofri. Nunca fui intimado, jamais tive conhecimento ou fui chamado para prestar qualquer esclarecimento. Fui surpreendido com busca e apreensão na minha residência e no meu escritório de advocacia. Os policiais federais procederam com a diligência, não encontraram qualquer irregularidade e nada foi apreendido. Esse é o fato.

Qual é a relação do senhor com o advogado Ivan Guimarães, que segundo Orlando Diniz foi quem o indicou para o escritório da Luiza Eluf? Orlando Diniz diz que o senhor era muito próximo a ele, que foi envolvido no escândalo do Mensalão. Não tenho nenhuma relação com ele, nunca foi meu amigo. É outra fake news plantada por quem está armando nos bastidores para me prejudicar. Orlando Diniz está mentindo. Mesmo mentindo para fazer um escândalo e destruir minha imagem, para fazer matéria que o Fred foi alvo de Lava-Jato, não há nenhum crime que foi imputado a mim. Eu não fui denunciado, isso fala por si só.

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Se não houve irregularidades, como o senhor explica essa menção ao seu nome na delação de Orlando Diniz? Quem era o advogado de Orlando Diniz até pouco tempo atrás? O doutor Roberto Podval, que é o mesmo advogado do criminoso Antonio Bruno Di Giovanni Basso e que por toda a sua vida tentou me incriminar. Fui ameaçado e já prestei declarações públicas a autoridades de São Paulo em que denunciei isso. Está no meu depoimento, que no momento mais oportuno virá à tona para não atrapalhar as investigações, que iriam de forma fraudulenta me envolver num escândalo no Rio de Janeiro por ordem e comando do criminoso Bruno Basso. Era sua praxe, seu modus operandi. O simples exercício da advocacia entre eu e o escritório que me contratou virou alvo de uma situação injustificada e inexistente. Essa é a situação da Fecomércio.

O senhor foi à PGR falar com o subprocurador-geral José Adonis para tratar da repactuação dos acordos de delação da JBS? O senhor pediu ajuda ao presidente Jair Bolsonaro para abrir caminho para essa tratativa? Fui contratado pela referida empresa em anos anteriores, quando fui contratado e recebi meus pagamentos para atuar na defesa do meu cliente na esfera de inquéritos policiais tão somente, ninguém sonhava que Jair Bolsonaro seria presidente da República e Augusto Aras não era PGR. Portanto, são fatos do passado e que não guardam vínculos com o presidente. Na verdade, houve distorção de informações propositais, eu fui vítima de fake news de uma capa de revista que disse a mando de Bruno Basso que eu recebi 9 milhões de reais para atuar a favor da JBS e que teria participação do presidente e do PGR. O PGR foi vítima do crime de calúnia, da mesma forma o presidente Bolsonaro. Jamais o presidente me ajudou em qualquer coisa do meu trabalho, nunca ligou para a PGR, nunca pediu para que me recebessem. Em momento algum eu afirmei que fui tratado com qualquer subprocurador sobre qualquer pauta. Quem alegou isso, vamos esperar eles trazerem à baila. Não posso falar de nada sobre a minha atuação profissional. Nunca fui cuidar de nenhum assunto referente à PGR e ao meu cliente JBS. Não tive qualquer ajuda do presidente e do PGR. É uma campanha para atingir a imagem do PGR e do presidente e compete uma investigação para apurar as pessoas que estão por trás disso. São mentiras levianas e novamente usando o meu nome para atingir terceiros que nada têm a ver com a história. Estão tentando criminalizar a advocacia, trazendo histórias do passado para induzir ao erro autoridades e a opinião pública.

A PGR hoje apura a relação profissional que o senhor mantinha com o Aeroporto de Viracopos. Como se posiciona em relação a isso? É o mesmo modus operandi dessa organização criminosa. Plantaram um indivíduo que eu sei que é funcionário público federal de Brasília e lotado na Embratur e que foi cedido para o Cade agora. Não atua como advogado de forma permanente. Essa pessoa foi usada, entregaram uma peça pronta e o usaram nessa prática de denunciação caluniosa. Sabendo de minha inocência, provocaram a máquina pública para iniciar uma investigação, matéria que foi amplamente divulgada. Uma campanha difamatória para tentar me desqualificar e transformar o advogado numa pessoa que pratica atos ilícitos. Qual é o problema de ser advogado de Viracopos? Estou exercendo a minha profissão. Não tem nenhum fato contra mim.

Quais interesses Bruno Basso e o advogado Roberto Podval teriam para atingir o senhor e o presidente da República? Quais seriam as motivações por trás desse conluio que o senhor se diz vítima? Estou imputando com absoluta convicção, pelo modus operandi do qual fui vítima nos dez últimos anos de crimes com esse mecanismo, estou imputando ao criminoso Bruno Basso. Sei que ele usa interpostas pessoas. Fui ameaçado por um membro de sua quadrilha, e a ameaça se materializou e se concretizou. Bruno Basso estava por trás de tudo isso e que usaria seus advogados, com relacionamento com grandes partidos de esquerda, para usar a máquina pública e jogá-la contra mim. Há uma coincidência: Roberto Podval foi por muito tempo advogado de Orlando Diniz e tenho motivos para crer que essa pessoa foi induzida a citar meu nome com objetivo de destruir minha vida. O mesmo advogado, Roberto Podval, é advogado do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e também foi advogado do José Dirceu, constantemente está em Brasília com a cúpula do referido partido. Não estou imputando nenhum crime ao advogado, mas estranhamente parlamentares do PT vem protocolando pedidos de investigação contra mim e o presidente sobre as mais variadas causas injustificadas. Tenho a certeza de que tudo isso está sendo operado pelo criminoso que me persegue há tantos anos. Temos um advogado que é um interfeito entre vários personagens, sabemos da guerra do governador do Rio de Janeiro com a família Bolsonaro. Levaram o governador a crer que eu estava por trás da operação da Polícia Federal em sua residência, o que é uma mentira. Dessa forma, usaram essas pessoas poderosas para usar a máquina pública do Rio de Janeiro contra mim. Nesse cenário, sofri um novo crime, encomendaram um Relatório de Inteligência Financeira sobre a minha pessoa. As contas do meu escritório de advocacia foram quebradas de forma ilegal e arbitrária, houve a quebra do meu sigilo bancário e fiscal e, em ato contínuo, foi vazado para a imprensa.

De onde o senhor conhece Bruno Basso? Qual seria a motivação para ele tramar contra o senhor?O criminoso Bruno Basso é o ex-marido da minha ex-mulher. Estamos falando de um criminoso que conheceu a sua vítima no início de um trabalho. Ele pediu um emprego na empresa de Cristina Boner. Quando ele a conheceu, ela já era uma empresária reconhecida nacional e internacionalmente, já era capa de revista, já detinha a exclusividade de revenda Microsoft e tinha todo seu patrimônio construído. Esse cidadão pede a para trabalhar na sua empresa, começa a trabalhar como empregado remunerado, começa a namorar com ela no ano de 2000 e passa a viver em união estável. Esse namoro é rompido porque Cristina descobriu que o irmão de Bruno Basso, chamado Luciano di Giovanni Basso, trocava com ele cenas de pedofilia na internet. A Cristina ficou apavorada porque já tinha três meninas do casamento anterior. O irmão de Bruno Basso foi preso pela PF. Cristina terminou o relacionamento com o senhor Bruno Basso e, depois, começou a ser extorquida por ele, que exigia metade do patrimônio que já era dela e que fora construído no passado quando ela era casada com o pai de suas três filhas. Esta é a origem. Uma extorsão em que a vítima foi ameaçada de morte e sofreu uma campanha de falsas denúncias. Na época dos fatos, era o meu início de relacionamento com Cristina, em 2008, eu estava num leito de hospital, desenganado com um câncer, que não tinha cura nem tratamento. Absolutamente fragilizado entre hospital e igreja e assistindo à vítima ser torturada diuturnamente. Não aguentando mais, ela cedeu às criminosas imposições e assinou o título executivo desejado pelo criminoso de uma milionária vantagem indevida de 34 milhões de reais e mais imóveis. Foi o vulgarmente conhecido golpe do baú que se transformou numa extorsão qualificada. O que motiva é um criminoso que quer a todo custo torturar e se vingar das suas vítimas. Inúmeras vezes ele me ameaçou de morte, tem ódio mortal de mim. Ele já foi preso cinco vezes, tem 11 ações penais, com todo tipo de fraude. É um psicopata ao estilo norte-americano e que nos persegue desde 2008. São 12 anos de perseguição, com um exército de pessoas abaixo dele, com advogados que plantam mentiras na imprensa. No presente, uniram os interesses de um criminoso e de uma organização criminosa, com grandes partidos de esquerda, que visam a atingir a imagem do presidente Jair Bolsonaro. E, no meio disso tudo, um elo que é o advogado de todo mundo, mas deixando bem claro que não estou imputando nenhum crime a Roberto Podval.

Antonio Bruno Di Giovanni Basso, saindo da delegacia, rumo ao presídio Dr. Danilo Pinheiro, em Sorocaba: segundo Wassef, ele é um dos principais responsáveis pelo complô ./Divulgação
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