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Ex-auxiliar de Youssef diz que Vaccari era ‘lobista de fundos de pensão’

Carlos Alberto Pereira da Costa afirmou que ex-tesoureiro do PT trabalhava para "influenciar" a aplicação dos recursos dos pensionistas

O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como um dos principais auxiliares do doleiro Alberto Youssef, confirmou nesta terça-feira, em depoimento à CPI dos Fundos de Pensão, que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto atuava como uma espécie de “lobista de fundos de pensão” e trabalhava diretamente para “influenciar” a aplicação dos recursos dos pensionistas.

Ele relatou aos parlamentares que Vaccari frequentava o escritório de Youssef e detalhou um episódio em que foi pago 3 milhões de reais desviados de uma transação entre a CSA Project Finance – empresa que estava no nome do advogado, mas era controlada por Youssef – e a Siderúrgica Barra Mansa (SBM). De acordo com o depoente, o empresário Claudio Mente, da CSA, disse que Vaccari estava “por trás” da propina cobrada em transações da Petros.

“Vaccari atuava como lobista de fundos de pensão. A CSA procurou Vaccari para que ele abrisse as porta dos fundos de pensão”, disse à CPI.

João Vaccari Neto foi condenado a mais de 15 anos de prisão na Operação Lava Jato e responde a outras ações penais por suspeita de recebimento de propina de contratos fraudados na Petrobras. A Polícia Federal tem uma linha de investigação exclusiva para apurar irregularidades no fundo Petros.

Em depoimento prestado à Polícia Federal em agosto do ano passado, Pereira da Costa disse que atuou na venda de cédulas de crédito bancário (CCB) ao Petros, no valor de 13 milhões de reais,. Por meio de notas falsas de prestação de serviços, foram desviados 3 milhões de reais em propina.

À PF, o depoente havia informado que a propina tinha sido de 500.000 reais e destinada a Claudio Mente, Rubens de Andrade, Antonio Bahia, todos sócios da CSA, e funcionários da Petros, como o então gerente de Novos Negócios Humberto Pires Grault. A Polícia Federal avalia que a CSA foi uma das empresas utilizadas pelo doleiro Alberto Youssef para lavar parte do dinheiro de outro escândalo político – o mensalão.

Em nota, Humberto Pires Grault disse que nega “com indignação, a suspeita lançada de que teria recebido comissão pela operação”. “É uma mentira. A acusação, irresponsável e absolutamente desprovida de sentido, foi feita com base em declarações atribuídas a outra pessoa”, afirmou.