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Esquema de Cachoeira fez lobby na Anvisa

Demóstenes Torres marcou reunião com a agência a pedido de Cachoeira. O objetivo era que o laboratório Vitapan, do contraventor, conseguisse licenças de medicamentos e renovações

O senador Demóstenes Torres fez lobby na Anvisa para que o laboratório Vitapan, de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, obtivesse licenças de medicamentos e renovações. Em diálogos interceptados pela Polícia Federal, gravados em abril de 2011, Cachoeira pede ajuda de Demóstenes para resolver demandas do órgão. Os dois combinam uma operação para cooptar Norberto Rech, gerente-geral de Medicina do da Anvisa.

Os grampos indicam que, depois de uma suposta conversa entre o parlamentar e Rech, em 13 de abril do ano passado, Cachoeira enviou emissários para uma reunião na agência. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Norberto Rech foi levado em 2005 para Anvisa com o patrocínio do senador Humberto Costa (PT-SP), então ministro da Saúde. O assessor nega ter feito qualquer ato de ofício para favorecer os negócios do contraventor.

Nas conversas, Cachoeira pede para que Demóstenes leve a Rech dois operadores do alto comando da sua organização. A Anvisa confirma uma reunião intermediada pelo senador, mas em setembro de 2011, não em abril, como dão a entender os diálogos. O senador, segundo o órgão, levou para o encontro duas representantes do laboratório Vitapan.

Demóstenes teria marcado a reunião em seu nome e mentido sobre o tema a ser tratado. O senador alegou que o encontro seria para cuidar de um “protocolo para tratamento do câncer de próstata”. Só na véspera do encontro, por e-mail, ele teria mudado a pauta para incluir a discussão de licenças de medicamentos para o laboratório.

O presidente da agência, Dirceu Barbano, diz ter agendado o encontro em seu gabinete, em deferência a Demóstenes, considerado insuspeito. A Anvisa explica que, após a mudança de pauta, manteve o local da reunião, mas decidiu gravá-la e produzir ata. A defesa de Demóstenes informou que as interceptações são ilegais e que não vai comentar diálogos retirados do contexto.

(Com Agência Estado)

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