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Em gravação, Delcídio cita ‘preocupação’ de Temer com ex-diretor da Petrobras

Afirmação foi feita enquanto senador negociava com filho de Cerveró uma suposta influência sobre ministros do Supremo

Por Laryssa Borges 25 nov 2015, 11h48

Gravação feita por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, mostra relato do senador petista Delcídio Amaral (PT-MS), preso nesta quarta-feira por atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, em que ele afirma que o vice-presidente Michel Temer já teria procurado o ministro Gilmar Mendes para tratar de uma possível soltura do ex-dirigente da estatal, detido desde o início do ano por suspeitas de integrar a quadrilha do petrolão. Segundo Delcídio, que conversa com o advogado Edson Ribeiro e com o próprio Bernardo,Temer estaria “preocupado” com o também ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada, apontado pelos investigadores como um dos responsáveis por recolher propina para integrantes do PMDB.

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Segundo o procurador-geral da República Rodrigo Janot, a estratégia de Delcídio de tentar influenciar ministros do Supremo – foram citados, além de Gilmar, Dias Toffoli, Edson Fachin e Teori Zavascki – revela a “desfaçatez com que se discute a intercessão política na mais elevada instância judiciária brasileira”.

Para a força-tarefa de procuradores da Lava Jato, pelo menos 31 milhões de dólares do esquema foram parar nas mãos de Zelada, do ex-gerente geral da área internacional da estatal Eduardo Musa e do PMDB, responsável pelo apadrinhamento político do ex-dirigente. No esquema, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Rezende Henriques atuavam como intermediários da negociação, sendo que cabia a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa, a Raul Schmidt depositar a propina reservada a Zelada e a João Augusto Henriques pagar o dinheiro sujo ao PMDB. Pelo acordo, a propina era enviada diretamente para contas secretas no exterior.

Segundo a acusação, em troca da propina, Zelada atuou diretamente no esquema ao praticar diversas irregularidades e manipulações para favorecer a companhia e ao não cumprir regras pré-estabelecidas pela Petrobras na celebração de contrato. A Comissão Interna de Apuração da própria estatal concluiu que o contrato não foi submetido à diretoria executiva da Petrobras, como recomendado, não houve a elaboração de um relatório final para a contratação da companhia, as propostas comerciais foram enviadas por e-mail e a diretoria executiva teve acesso a um relatório incompleto sobre o processo.

Confira trecho da conversa entre Delcídio do Amaral e Edson Ribeiro:

DELCÍDIO: Agora, agora, Edson e Bernardo, é eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori, conversei com o Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar, o Michel conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também.

EDSON: Tá.

DELCÍDIO: Por que, o Gilmar ele oscila muito, uma hora ele tá bem, outra hora ele tá ruim e eu sou um dos poucos caras…

EDSON: Quem seria a melhor pessoa pra falar com ele, Renan, ou Sarney…

DELCÍDIO: Quem?

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EDSON: Falar com o Gilmar

DELCÍDIO: Com o Gilmar, não, eu acho que o Renan conversaria bem com ele.

EDSON: Eu também acho, o Renan, é preocupante a situação do Renan.

DELCÍDIO: Eu acho que, mas por que, tem mais coisas do Renan? Não tem…

EDSON: Não, mas o…, acho que o Fernando fala nele, não fala? DELCÍDIO: Fala, mas fala remetendo ao Nestor.

EDSON: A é, também? Então tudo bem.

DELCÍDIO: Como também fala do Jader, remetendo ao Nestor. EDSON: Então tudo bem. Escolheu o Fernando

DELCÍDIO: Agora, então nós temos que centrar fogo agora pra resolver isto…

EDSON: Mas então seria bom ver Renan olha só…

DELCÍDIO: Não, eu vou falar com ele…

DIOGO: Hoje tem reunião de líderes

DELCÍDIO: Eu falo com o Renan hoje.

EDSON: Tá bom.

DELCÍDIO: Hoje eu falo, porque acho que o foco é o seguinte, tirar, agora a hora que ele sair tem que ir embora mesmo.

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