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Doria estima atrair a SP R$ 30 bi de investimentos de fundos dos Emirados

Em viagem ao país árabe, governador relatou interesse dos fundos Mubadala e Abu Dhabi Investiment Authority em pacote de privatizações pelos próximos 3 anos

Por João Pedroso de Campos, de Dubai Atualizado em 13 fev 2020, 05h40 - Publicado em 10 fev 2020, 20h53

Em missão de negócios aos Emirados Árabes Unidos, o governador de São Paulo, João Doria, declarou nesta segunda-feira, 10, em Dubai, que sua gestão tem a expectativa de que dois dos maiores fundos soberanos do país árabe invistam no estado até 30 bilhões de reais nos próximos três anos.

O volume de aportes foi estimado pelo governador e o secretário da Fazenda paulista, Henrique Meirelles, a partir do que ambos relataram como interesse de diretores dos fundos Mubadala e Abu Dhabi Investiment Authority (ADIA) no pacote com 21 projetos de privatização apresentado pelo governo paulista. Os representantes dos dois fundos, que administram 830 bilhões de dólares em ativos e têm investimentos de 5 bilhões de reais no Brasil, reuniram-se com Doria neste domingo em Abu Dhabi, capital dos Emirados.

“Em termos de valor, isto é baseado na nossa estimativa com base no patrimônio investido nesses fundos, o que já tem alocado no Brasil e das oportunidades que estão se abrindo no estado de São Paulo”, disse Meirelles, em entrevista à imprensa ao lado de Doria após a inauguração do escritório comercial de São Paulo em Dubai. Com a abertura da unidade, Doria pretende facilitar investimentos e relações comerciais entre o estado e o país árabe.

Segundo o governador paulista, foram apresentados aos investidores projetos de rodovias, ferrovias, linhas de metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), 21 aeroportos regionais, a hidrovia Tietê-Paraná e a Sabesp, classificada pelo tucano como “joia da coroa”, cujo processo de privatização ainda depende da aprovação do novo marco regulatório do saneamento pelo Congresso. Todos os projetos serão leiloados.

“Os fundos estudam com muita atenção cada um dos segmentos e cada um dos leilões que serão feitos ao longo deste ano de 2020”, disse João Doria.

O governador e Meirelles não citaram detalhes a respeito dos valores que o governo paulista pretende obter com cada empreendimento, nem discriminaram quanto dinheiro cada um dos fundos estaria disposto a apresentar nos leilões. Eles afirmaram que os investimentos dos fundos soberanos dos Emirados também incluiriam empresas brasileiras – para a missão de negócios iniciada no domingo, Doria viajou ao país árabe acompanhado de 47 empresários.

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“A ideia não é meramente fazer investimento em concessões no setor público, mas é um programa muito mais abrangente de investimento também pelo setor privado, por isso chegamos a essas estimativas”, declarou Henrique Meirelles.

  • De acordo com Doria, o fundo Mubadala manifestou interesse na concessão do autódromo de Interlagos e em um novo contrato para que o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 continue sendo disputado no local – o atual acordo termina em 2020. Sobre o autódromo, administrado pela prefeitura de São Paulo, o governador disse que seu governo está “solidário” na elaboração do projeto de concessão.

    Na entrevista, a secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, anunciou que o governo de São Paulo e o dos Emirados Árabes fecharam um acordo para que dez startups brasileiras sejam “incubadas” em centros de tecnologia em Dubai e Abu Dhabi, onde receberão capacitação, modernização tecnológica e investimentos financeiros.

    A meta do governo paulista é concluir a seleção das empresas até o final de 2020. Segundo a secretária, os investidores dos Emirados têm interesse em empresas de tecnologia nas áreas financeiras, de agricultura e saúde.

     

    O repórter viajou a convite do governo de São Paulo.

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